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terça-feira, 27 de junho de 2017

Sci-Fi Review: Expresso do Amanhã (2013)



Original: Snowpiercer
Direção: Joon-ho Bong
Elenco: Chris Evans, Kang-ho Song, Ed Harris, John Hurt, Tilda Swinton, Jamie Bell

Acho que desde criança eu tenho uma mania recorrente. Eu imagino o lugar em que estou como a última proteção dos sobreviventes de um apocalipse qualquer. Ao longo dos anos, fui aprimorando essa fantasia. Comecei a imaginar, por exemplo, dentre as pessoas que estão no mesmo ônibus que eu, quem seria um bom líder. Num elevador lotado, há sempre um que poderia trair todo o grupo. Em uma sala de espera, quais casais improváveis seriam formados para perpetuar a espécie. Esse filme faz exatamente isso, mas elevado à milésima potência.

O mundo se tornou um lugar inóspito e todas as pessoas morreram, exceto por um grupo escolhido por um tal Wilford para habitar sua arca de noé sobre trilhos. Vagão após vagões, todos os extratos da sociedade são representados, desde os pobres do fundo até os ricos da frente, passando por escolas, áreas de lazer e produção de alimentos. Está tudo lá, em versão compacta, circulando por todos os continentes congelados do mundo.

Eu não li o quadrinho que inspirou o filme (está na minha lista de desejos há pelo menos dois anos), então só posso falar da abordagem do filme. Expresso do Amanhã (que nome pobre, hein?) funciona muito bem como alegoria, mas patina um pouco se o espectador parar um pouco para pensar sobre o quanto seria viável uma ideia como essa. Além disso, a maior parte dos personagens aparece e desaparece muito rápido, tornando difícil se apegar a eles. E aí vem um diálogo matador, que poderia levar qualquer um às lágrimas, mas que não leva porque você não liga para aquela gente toda.

Mas o filme tem bons acertos. Um deles é a inventividade de cada um dos vagões, cenários tão diversos de estruturas que, em teoria, são iguais. Mas, o ponto alto do filme é a atuação do Chris Evans. Não que ele tenha uma interpretação digna de Oscar, mas ao menos não incomoda ninguém. O diretor Joon-ho Bong faz milagre transformando um ator muito fraco em um protagonista convincente. E, com ele, o espectador se importa.

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