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14 de junho de 2017

Fast Review: O Xerife da Babilônia 1



Original: The Sheriff of Babylon 1-6
Editora: Vertigo / Panini
Roteiro: Tom King
Arte: Mitch Gerads


Em março de 1995, chegou às bancas brasileiras uma revista chamada Vertigo.  Era uma coletânea em 12 edições com algumas histórias emblemáticas do selo da DC Comics e a primeira oportunidade de o público brasileiro conhecer esse material. O primeiro número já trazia o Hellblazer do Garth Ennis e o início de Sandman: Teatro do Mistério. Além disso, estava estampado na capa, com pouco destaque, a frase “Recomendável para adultos”.

Eu tinha 11 anos. Em teoria, não poderia comprar aquela revista, mas, na cabeça do jornaleiro, quadrinho era coisa de criança, então garanti meu exemplar. Aquela foi a minha porta de entrada para coisas mais pesadas da Vertigo. Fazia sentido ter o aviso de que era para adultos, afinal muita coisa ali não costumava figurar nas páginas de Superman e Batman. Sexo e nudez? Estava lá. Uso de drogas e abuso de bebidas? Também. Feitiçaria e ocultismo? Item quase obrigatório. Mas havia um conteúdo adulto que raramente aparecia nas histórias: a vida real.

O Xerife da Babilônia é feito de vida real. Não tem pentagrama no chão, nem personagens de contos de fadas. Só a verdade nua e crua de quem invade um país por conta de um ideal – ou de que tem seu país invadido. A história acompanha três personagens centrais: Christopher, um americano contratado para treinar a polícia iraquiana (o tal xerife do título), Sophia, uma sunita bem poderosa criada nos Estados Unidos após seus pais terem sido assassinados pelo regime de Saddam, e Nassir, um policial xiita que trabalhou para Saddam caçando os próprios xiitas. Para todos eles, o fim do governo de Hussein e a ocupação dos americanos em Bagdá traz grandes impactos.

Partindo de um mistério (um dos cadetes de Christopher aparece morto na zona verde controlada pelos EUA), mergulhamos na vida de cada um desses personagens, entendendo como eles chegaram até aquele ponto e quais as consequências dos atos em curso para suas vidas. O texto de Tom King é sempre impecável e nem sei o que dizer da arte desse Gerads que acabei de conhecer e já considero pacas.

A história tem mistério e tem explosão, como quase todo quadrinho, mas tem também humanidade. O ponto alto, para mim, é um diálogo entre dois personagens que ocupa quase metade da quinta edição. Duas pessoas diferentes, de mundos diferentes, compartilhando suas opiniões, visões e experiências de vida. Não é uma lição, mas há muito o que aprender.


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