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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Opinião: Esse tal de Social Comics



Há uma semana, baixei o app do Social Comics e fiz meu cadastro. Grosseiramente falando, é o Netflix dos quadrinhos, ou seja, por uma assinatura mensal o leitor tem acesso a um amplo catálogo de HQs para todos os gostos e tipos. Me lembro que logo quando o serviço foi anunciado, não me empolguei, mas ao ver algumas adições recentes, mudei de opinião. Talvez seja o toque de midas do Omelete, que comprou uma participação. Talvez seja uma tendência desse mercado, que se equilibra numa corda banda de baixas vendas com os ventos da pirataria soprando de todos os lados.


De cara, o Social Comics me deu um susto. Tem muita coisa esquisita ali. Se, por um lado, é ótimo que autores independentes tenham uma plataforma para divulgar seus trabalhos, por outro, apenas as imagens das capas já me dão a certeza de que jamais clicarei nessas edições.


Mas vamos falar de coisa boa? Tem muito gibi bacana à disposição. Há uma aba (eu não entendo de termos técnicos, então vou chamar de aba, tá?) que divide as obras por editoras, facilitando muito a pesquisa. Há ferramenta de busca também, para quem quer procurar por um artista ou trabalho específico.


Fiz uma listinha de 10 coisas muito legais que eu achei enquanto fuçava o aplicativo:


Valiant – Coisa pra caramba. Já falei mais sobre isso aqui.



Hellboy – Apenas as quatro edições de Semente da Destruição, mas já dá pra sentir um gostinho.


Mythos – Além de Hellboy, a editora disponibiliza ainda os números da Juiz Dredd Magazine, Halo Jones e Conan.


Moebius – Bastante coisa do que a Nemo publicou de Jean Giraud, o genial Moebius, está no catálogo.


QUAD – Há muito tempo, falei sobre QUAD aqui. É um dos materiais de ficção científica mais bacanas produzidos no Brasil. As três edições e mais umas histórias curtas estão no Social Comics.



Beladona – Quadrinho de terror bem legal da Ana Recalde. Ela, aliás, está à frente do selo Pagu, que visa ao desenvolvimento de material original para o Social Comics produzido por mulheres.


The Umbrella Academy – Disponibilizada pela Devir, a obra é escrita por Gerard Way (vocalista do My Chemical Romance e homem forte do selo Young Animal, da DC) e desenhada pelo brasileiro Gabriel Bá.


Danilo Beyruth – Duas das HQs mais legais do autor estão disponíveis: Bando de Dois e Necronauta, ambas publicadas pela Zarabatana.


Draco – A editora tem alguns bons itens no catálogo, como Apagão, Steampunk Ladies e Quem matou João Ninguém?.


Para a criançada – As crianças e aqueles que preferem não crescer podem conferir um bom volume de revistas da Turma da Mônica e da Disney.



O que falta? Aí vai de cada um, de suas preferências, mas acho que há três grupos de obras que poderiam enriquecer muito o serviço: as HQs da Panini (Marvel, DC e afins), esses mangás aí que eu nem conheço mas sei que uma galera considera pra caramba (não vi nada dos mais famosos por lá) e os fumetti lançados pela Mythos (Tex, Zagor e J. Kendall). Sei que tudo isso é material estrangeiro licenciado, mas a parceria com a Valiant pode indicar que há a possibilidade de essas grandes editoras entrarem para o portfólio do Social Comics também.



Para mim, o grande aspecto negativo está na navegabilidade. Senti falta de algo como a Netflix: uma lista com seus quadrinhos favoritos em que você pode avançar edição por edição, inclusive aguardando aquelas que ainda não estão disponíveis. O que tem no aplicativo é apenas a possibilidade de marcar edições como favoritas e de voltar àquelas que você já começou a ler. Ao mesmo tempo, é possível ler os quadrinhos off-line, o que é uma grande vantagem.

No fim das contas, o Social Comics vale os R$ 20 reais que cobra por mês? Pra mim, vale, mas não sei por quanto tempo. Em breve, já terei lido tudo o que me interessa do catálogo, então ficarei dependendo das novidades. Vai depender do próprio serviço se eu permanecerei como cliente.

Atos Finais