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26 de dezembro de 2016

Essa Valiant vale mesmo?



Você ama quadrinhos de super-heróis mas está cansado do eixo Marvel-DC? Você curte universos compartilhados e não quer ver apenas participações especiais de personagens nos títulos de outros? Você gosta de histórias competentes, redondinhas, com boa arte e bom roteiro? Então seus problemas acabaram. Se você ainda não conhece a Valiant, segura na minha mão e vem comigo.



Resumindo um pouco a trajetória, a Valiant Comics surgiu em 1992 e ganhou o gosto de muita gente com personagens carismáticos e bem construídos, que iam além das cópias genéricas das grandes editoras (sim, Image, estou falando com você). Mas não houve lá aquele sucesso comercial que a fizesse despontar como uma das grandes. Acabou vendida para a Acclaim em 1994, que pretendia criar joguinhos a partir das propriedades intelectuais da Valiant, mas daí em diante a qualidade só minguou e os títulos foram sumindo das prateleiras.

Em 2012, a Valiant voltou com tudo ao mercado, recauchutando alguns de seus personagens principais, como X-O Manowar, Harbinger, Bloodshot, Shadowman e Archer & Armstrong. Depois ainda vieram Quantum & Woody, Eternal Warrior e muito mais. Um sopro de “originalidade” (aspas, pois eram personagens antigos) em uma indústria cada vez mais saturada.

E no Brasil? A Valiant despontou por aqui em 2013 na revista X-O Manowar, da HQM Editora. Tudo parecia ir muito bem, a ponto de ser anunciada uma segunda revista, a Universo Valiant. A surpresa veio alguns meses mais tarde. Depois de constantes atrasos nas bancas, a editora descontinuou os dois títulos, sem sequer fechar os arcos. Jogou a culpa nas baixas vendas e responsabilizou a imprensa especializada, por não ajudar a vender seu peixe. Daí em diante, lançou apenas encadernados compilando as primeiras edições de X-O Manowar e Harbinger a preços exorbitantes.

2016, esse ano que não vai deixar saudades, trouxe ao menos uma boa notícia para quem curtia esse universo. A própria Valiant, lá das terras do Tio San, fechou contrato com o tupiniquim Social Comics para lançar as edições em terras brasileiras. A princípio, tudo será disponibilizado pelo serviço pago, e, posteriormente, a JBC lançará encadernados nas bancas e lojas especializadas. Com saudade desses personagens e na ânsia em concluir os arcos que a HQM deixou abertos, me rendi ao Social Comics e fiz meu cadastro. Mas, e aí?

Quando cheguei ao Social Comics, já havia uma boa oferta de edições. X-O Manowar, Harbinger, Bloodshot, Archer & Armstrong e Shadowman já estavam lá, todas até as edições 13 ou 14, de acordo com o título. Esse volume cobre o que já tinha sido publicado no Brasil e mais um pouco. Há até uma área separadinha com todas as edições de Harbinger Wars, primeiro crossover da editora, que joga os psiônicos de Harbinger contra a máquina de matar Bloodshot. Algumas edições estão fora da ordem de leitura, o que atrapalha um pouco a experiência, mas nem vou reclamar muito.

De acordo com o anúncio da parceria, a cada semana será disponibilizado um novo arco. E isso eu pude ver nesse final e semana, quando as quatro primeiras edições de Eternal Warrior entraram no catálogo. Ainda não tinha lido isso e valeu muito a experiência. Aguardo as próximas semanas para ver o que mais vai chegar ao serviço.


Mas o que vale a pena?, você pode me perguntar. Honestamente, tudo vale a pena, dependendo apenas das suas preferências. X-O Manowar é um visigodo levado como escravo para o espaço que acaba se juntando a uma armadura tecnológica sagrada para alguns alienígenas. Harbinger trata de um grupo de psiônicos, os mutantes da Valiant, numa trama que você nunca sabe muito bem quem é o mocinho e quem é o bandido. Bloodshot tinha tudo para ser um Justiceiro-Wolverine – um assassino frio sem lembranças do passado – mas mostra ser muito mais que isso. Shadowman é a dose de magia e misticismo desse universo. Archer & Armstrong é a curiosa parceria entre um garoto lutador treinado por uma seita e um bon vivant imortal (e é o melhor título de todos). E Eternal Warrior traz o irmão também imortal de Armostrong em suas próprias aventuras. Confere lá que você vai gostar.

É isso. Se nesse momento você quer mais do que Liga da Justiça e Vingadores, esses novos-velhos heróis de outro canto do multiverso podem ser justamente o que você procura.

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