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21 de setembro de 2016

Marshall Rogers: o Marechal do Morcego (parte 2)

Opa, não morri ainda, só estou escrevendo alguma coisa aqui pra parecer que o texto integral não foi feito de uma vez só e chamar novamente sua atenção, leitor. Bom, espero que tenha funcionado, então lê aí de uma vez que tá batuta a segunda parte.

O dois últimos volumes de Lendas do Cavaleiro das Trevas: Marshall Rogers são publicações um pouco diferentes do resto da coleção. Primeiramente (fora Temer, ops), por republicarem arcos fechados desenhados por Rogers, e apenas algumas edições mensais avulsas pra fechar o número de páginas. Além disso, reúnem material recente, datando dos anos 2000.
Sem mais delongas, vamos para o segundo encadernado, que abre com uma história em prosa, ilustrada por Rogers, sem grande destaque, mas aqui já vemos o uso de um close da máscara preta de Batman, realçando seus olhos semicirculares; um recurso visual que será revisitado e expandido pelo artista mais a frente. Temo entãos uma edição que fecha a passagem do desenhista pela Detective Comics, mantém o nível das anteriores, mas vamos direto ao prato principal.

O arco em 5 partes Cerco foi publicado entre os números 132 e 136 de Legends of the Dark Knight. Roteirizada por Archie Goodwin, a trama apresenta um antagonista militar, que depois de longos anos angariando poder no Oriente Médio, retorna a Gotham City e planeja utilizar suas forças armadas para criar um estado de caos na cidade. Uma premissa até instigante, mas que se perde em uma sub-trama piegas que relaciona o vilão ao avô de Bruce e à fundação da Mansão Wayne.
Apesar de reduzida a poucas páginas, a ação em meio a cidade sitiada é muito bem conduzida pelo desenhista, o conflito dentro da escura e tenebrosa mansão também rende boas cenas de porradaria. Porém, a sequência mais interessante se encontra nas 3 primeiras páginas do capítulo 3. Um “corte de comparação” (que descobri agora ser a tradução mais aceita do termo cinematográfico match cut), transicionando entre uma lua semi cheia e o olhar incisivo do herói, apresentado em toda sua imponência no topo de um prédio na página seguinte. Imagens aparentemente simples, mas que nas mãos de Marshall Rogers adquiriram um forte poder narrativo.

Então, chegamos ao terceiro (e até então, último) volume, que compila as 6 partes de Batman: Dark Detective, marcando o reencontro de Rogers com Steve Englehart, e mais uma vez Coringa reivindica os holofotes, dessa vez lançando sua candidatura para prefeito de Gotham. Quem retorna também é Silver St. Cloud, dessa vez ainda mais próxima de Bruce Wayne. Vários pontos positivos da última parceria são retomados pela dupla de criadores, em especial o encadeamento de eventos entre edições e as sub-tramas que dão um gostinho do que estar por vir.
Uma coisa a ser ressaltada nesses dois últimos volumes é a colorização. É recorrente artistas clássicos sofrerem com a utilização exacerbada de recursos modernos em suas publicações recentes, mas aqui, tanto Danny Vozzo quanto Chris Chuckry souberam aproveitar a arte técnica e metódica de Rogers com o uso de cores bem definidas, com poucos degradês.

Durante certos momentos da história, o Espantalho explora temores secretos de Batman, e esse roteiro culmina em um trecho simples, mas de uma composição artística muito bela, onde os dois antagonistas resolvem o conflito em uma fazenda. E para fechar com chave de ouro, Englehart nos apresenta a maluca casa do Coringa, onde Silver está sendo mantido refém, e o herói deve enfrentar os mais variados mecanismos e armadilhas absurdas para resgatá-la.
A batalha final é empolgante; e Marshall Rogers compõe as páginas de um modo excepcional, complementando o texto de Englehart, que reforça os dois malucos fantasiados como lados da mesma moeda. Um discurso que talvez possa já parecer batido, mas sempre é efetivo. Pra fechar as 172 páginas da edição, temos também a segunda parte do texto de Alexandre Callari (começou no volume 2), entitulado “O Marechal do Morcego”, apresentando detalhes e curiosidades da carreira de Marshall Rogers. Uma ótima adição a revista, e que espero se tornar padrão nas coleções futuras.

Então, ficamos por aqui. Se você é um corajoso/desocupado/fiel leitor e chegou até final desse post, deixa aí o que achou; se não, me mande tomar no cu por não ter exercitado o poder de síntese e feito em Fast Review. Ou se quis só olhar e ir embora, obrigado pela leitura, e até a próxima!

Achou que ia ter nota na parte 2? Se fodeu, volta lá pro começo, ou utilize a segunda opção do parágrafo anterior. xisde

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