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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Marshall Rogers: o Marechal do Morcego (parte 1)

Republicando histórias clássicas do Cruzado Encapuzado (uma de minhas denominações favoritas, e infelizmente em desuso, do Batman), Lendas do Cavaleiro das Trevas é uma das coleções de super-heróis mais interessantes no mercado. Reeditando artistas marcantes da historiografia da personagem, já tivemos sub-coleções com Alan Davis, Jim Aparo, Neal Adams e, atualmente , Gene Colan. Mas hoje o post é para falar um pouco sobre os 3 volumes completos que reúnem os melhores momentos de Marshall Rogers no morcego.
Ex- estudante de arquitetura, Rogers teve uma ascensão meteórica dentro do mercado de quadrinhos no anos 70, em especial por seus cenários incrivelmente complexos para a época. Muitas de suas marcas visuais serviram de referência para a aclamada Batman Animated Series, garantindo vaga no panteão de grandes desenhistas a ilustrar o detetive mascarado.

No volume 1, temos edições do seu início de carreira na revista Detective Comics. Em maioria roteirizadas por Steve Englehart, uma característica notável é que apesar de serem histórias avulsas, como de praxe nos anos 70, existe um encadeamento de eventos que confere a narrativa um ritmo muito gostoso de ler. A aventura do número seguinte é sempre sugerida por cenas da edição anterior.
Uma personagem recorrente dessa fase é Silver St. Cloud, organizadora de eventos que desenvolve uma relação amorosa com Bruce Wayne, e durante a trama começa a desconfiar dos segredos que o biliónario esconde. Além disso, Dick Grayson possui óimas participações, aqui já como estudante universitário, em posição de independência ao Batman, e não tardando em apontar falhas nos métodos do ex-parceiro.

Mas o destaque desse volume não pode ser outro senão a trama em duas partes contida em O Peixe Risonho e A Marca do Coringa (Detective Comics #475/476). Também escrita por Steve Englehart, é certamente uma das mais consagradas histórias a utilizar o Palhaço do Crime como antagonista. Em um plano surreal, onde o vilão envenena as águas de Gotham e tenta patentear os peixes que agora estampam seu sorriso. Com essa ideia maluca na cabeça, o Coringa então põe-se a assassinar os membros do governo que impedem a aceitação de seu projeto, e cabe ao Batman impedir.
Na representação visual de Marshall Rogers para o Coringa, é aparente a inspiração nos desenhos originais de Jerry Robinson e suas bases em O Homem que Ri, e certamente foi referência para o figurino de Jack Nicholson anos depois. Paralelamente, nesta história o vilão está perfeitamente caracterizado. Um plano maluco, cômico e até bobo (e não seria essa a definição básica do “jóquer”?), dando consequência à uma execução perigosa, recheada de reviravoltas no humor imprevisível do psicopata e comumente fatais para quem tenha o azar de estar no mesmo ambiente.
A última sequência dessa edição esbanja todo o talento de Rogers. O vilão foge entre as estruturas metálicas de um prédio em construção, e mesmo com a chuva pesada sobre si, nosso herói dá uma bela exibição de suas habilidades acrobáticas, alcançando o Coringa apenas para presenciar o final eletrizante (literalmente) desta aventura. Um show de narrativa visual e literária que por si só já vale a leitura, fiquei vidrado do começo ao fim.


O Batman mais quadradão e robusto de Rogers é um visual que curto bastante, e permite várias composições interessantes usando sombras e a longa capa do herói, bastante enfatizada pelo artista. É perceptível o quanto Rogers vai se familiarizando com essa dinâmica, culminando em duas edições com clima de terror escrita por Len Wein, fechando o encadernado de 164 páginas.

É já que o texto ficou beem longo, acho que esse é um bom ponto pra deixar uma quebra, então fiquem ligados no PdI quem em breve você vai encontrar a parte 2, que ficou encarregada de dissertar sobre os dois últimos volumes, nos reencontramos lá!

E não, não tem nota, então se quiser saber o que achei do primeiro volume de Lendas do Cavaleiro das Trevas: Marshall Rogers, toma vergonha na cara e volta lá pro começo do post.

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