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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Marvels

Pois bem, pois bem! Eae, galera, beleza? Aqui quem fala é o PCB, e hoje vim trazer algumas breves considerações sobre uma HQ impactante que li recentemente: Marvels. Vamos lá:


Marvels é escrita por Kurt Busiek e desenhada por Alex Ross, dividida em quatro volumes, nos quais se busca realizar uma grande homenagem à historiografia da Marvel Comics, através da reprodução de momentos marcantes na história da editora, como a chegada do Galactus à Terra ou a morte da Gwen Stacy.

Porém, o foco – e brilho – da HQ está em mostrar estes eventos marcantes não pelos olhos dos heróis (apesar de vermos eles em ação), mas pela visão de Phil Sheldon, um esposo fiel; pai de duas filhas; fotógrafo; que, como todos nós, possui alguns pensamentos valorosos e outros retrógrados.
Pelos olhos deste homem comum, entendemos perfeitamente qual seria nossa visão de seres capazes de entrar em combustão e de voar pelos céus. No 1º volume, quando se descobre a existência de super-humanos (Tocha Humana e Namor), temos ideia de como poderíamos julgar estes seres como horrendos em um minuto, e logo em seguida, considerá-los maravilhosos ídolos.

No 3º volume, compreendemos todo sentimento de impotência da humanidade ante seres com poderes sobrenaturais, em especial com a vinda de Galactus à terra, que trás a ameaça de acabar com toda realidade.
Porém, a ameaça de Galactus se vai, e um novo dia com problemas comuns chega. Assim, vemos no 4º volume como o confronto de heróis e vilões - e as sequelas destas batalhas - se torna algo habitual no cotidiano das pessoas. E percebemos isso com a morte de Gwen Stacy, um momento impactante na historiografia do Homem-aranha, mas que aos olhos da maioria da população é só mais uma fatalidade qualquer.

Como pode-se perceber pelo resumos dos volumes acima, Marvels fala da relação paradoxal de habitualidade e surpresa com os heróis; amor e ódio. Se hoje a sociedade está pedindo ao Senado que os heróis sejam banidos, amanhã está celebrando o casamento de Reed Richards e Sue Storm.
Todavia, nem todos seres super-poderosos são amados pelo público (mesmo que este amor não seja absoluto...), como é mostrado no volume 2, que foi o que mais me marcou. Neste volume, vemos a reação da sociedade em geral em face dos mutantes. Enquanto indivíduos como o Capitão-América e o Homem de Ferro são nossos defensores contra o mal, os mutantes são criaturas misteriosas e tenebrosas escondidas entre nós.

Mas se você é um leitor regular de HQs, como eu, você pode se perguntar: porque um ser como o Anjo é mais estranho que o Homem-aranha, ou o Ciclope mais perigoso que o Tocha-Humana? Em Marvels, temos finalmente a resposta para este medo: enquanto outros indivíduos com superpoderes são humanos tocados pelo destino para serem nossos heróis contra as ameaças à humanidade, os mutantes são o próximo passo da evolução humana, sendo que a "missão" deles é superar a nós, raça menos evoluída. O dever dos mutantes não é nos ajudar, mas nos substituir.
Assim, temos nos mutantes o ápice do medo - e raiva - do desconhecido, sendo que vemos eles como o esnobe próximo estágio da evolução humana. O pior é que toda esta cólera desenfreada nos leva a questionar se merecemos ser chamados de 'humanos' ou de 'evoluídos', ante tamanha ira demonstrada por uma raça que não conhecemos profundamente. No fim, talvez eles sejam o ápice da evolução, famosos por sua racionalidade, já que nós somos meros animais raivosos.


EAE, VALE? seja comprando o encadernado da Salvat ou a vindoura edição de luxo da Panini, Marvels é uma HQ que todo fã de quadrinhos deve ter na estante; não só pelo roteiro que homenageia o universo da editora ou pela arte estonteante, mas por toda a reflexão que a história gera em nós, humanos normais, em face destes seres com poderes e habilidades magníficas e maravilhosas.


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