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terça-feira, 26 de julho de 2016

75 anos da Mulher-Maravilha: a personagem na atualidade


Há 75 anos, em Outubro de 1941, surgia pelas mãos do psicólogo e escritor William Moulton Marston uma das primeiras super-heroínas a alcançar o estrelato nos quadrinhos. Envolta em polêmicas e controvérsias na sua criação, a Mulher-Maravilha elevou-se ao status de ícone e ainda hoje é uma personagem de grande importância para a arte sequencial.

Sendo parte integrante da Trindade de maiores “heróis” da DC Comics, a personagem continua me conquistando conforme vou conhecendo sua historiografia. Enquanto o Superman tem seu papel como voz da razão e o Batman como aquele que não mede esforços para alcançar seus objetivos, a Mulher-Maravilha é quem puxa a responsabilidade para si e age como mediadora, sempre em busca da melhor solução para os conflitos do universo DC.

Embora tenha surgido como um símbolo do poder feminino, a personagem muitas vezes foi utilizada de forma fetichista, seja por tentativas baixas de garantir vendas ou por má vontade de seus autores. Falei brevemente sobre as ideias que Marston trabalhava em seus roteiros em um post anterior, e recomendo o excelente dossiê publicado na Revista Mundo dos Super-Heróis #62  para um abordagem mais profunda sobre o assunto. Mesmo aos trancos e barrancos, a heroína acumula em sua carreira diversos exemplos de boas histórias, e consegui se manter em publicação por todos esses anos, possuindo inclusive sua própria série televisiva, estrelada por Lynda Carter entre 1976 e 1979.
Apesar do status alcançado dentro da cultura pop, apenas recentemente a Mulher-Maravilha teve a sua  grande estreia nas telas prateadas, com o papel de segurar o problemático Batman vs Superman e sendo aplaudida como um (senão o maior) ponto alto do filme. Sua empreitada solo já está garantida para Junho de 2017, e apesar das críticas à escolha de Gal Gadot para o papel principal, o trailer revelado durante a San Diego Comic-Con teve ótima recepção (a votação é cortesia de nosso DCneco favorito @nerdsarmento).

Ainda fico com um pé atrás devido as últimas “DCpções” que a Warner apresentou, mas estou animado com o rumo que a direção tomou. As aparições da heroína esbanjam presença, em um uniforme colorido e vibrante, reforçando sua imagem de poder e esperança em meio a hostil paleta cinzenta da guerra. Diana mostra-se incisiva em suas críticas ao Mundo dos Homens, umas das características que mais admiro na personagem.
E o filme virá para fechar o ano de comemorações que a DC propôs, num projeto que inclui graphic novels como Mulher-Maravilha Terra Um, republicações de fases consagradas (com um box especial), e diversos outros produtos, inclusive capitaneando uma linha de brinquedos destacando as personagens femininas da editora.

Além disso, a amazona estrela sua nova revista, possuindo a que é provavelmente a equipe criativa mais robusta do Renascimento da DC Comics. O retorno de Greg Rucka à editora nos roteiros, com Nicola Scott e Liam Sharp alternando quinzenalmente na arte e Laura Martin e suas cores sensacionais vem agradando; muita coisa interessante ainda deve surgir dessa reunião.
Entretanto, nós fãs brasileiros aparentemente não fomos convidados para essa festa. A personagem é extremamente negligenciada pelas editoras nacionais; e para visualizar como a situação é alarmante, uma breve pesquisa no Guia dos Quadrinhos por títulos que possuem o termo “Mulher-Maravilha” na capa retorna míseros 22 resultados (e alguns nem sequer são solo). Para efeito de comparação, o mesmo processo repetido com o queridinho do público “Batman” retorna 328 referências.

E mesmo nesse ano, onde teríamos finalmente a oportunidade de ver Diana nos holofotes, pouquíssimo foi feito. Tivemos o primeiro volume da fase da Gail Simone dentro da inflacionada coleção da Eaglemoss, e depois de muitos adiamentos, a publicação do primeiro encadernado da fase Azzarello, que havia saído anteriormente no mix Universo DC (onde se jogam os títulos não populares mas que tem que sair por aqui de algum jeito).

Dentre anúncios planejados da Panini, temos apenas o segundo encadernado dos Novos 52 (que deve acabar saindo só ano que vem); nada mais. É possível que passemos esse ano completo e sequer vejamos o selo comemorativo estampando um novo encadernado.
Fica aqui o puxão de orelha na Panini, e ainda dou uma sugestão: aproveitem que ano que vem chega o Rebirth no Brasil para trazer encadernados da fase do Rucka (Hikiteia já saiu por aqui e é uma ótima opção para republicação). Só não dá é para leitores mais recentes, como eu, ficarem a mercê de scans e edições estrangeiras para conhecer melhor essa fantástica personagem. 

Existem 75 anos de histórias para relembrar, e que venham muito outros aniversários de nossa imortal e favorita amazona!
 

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