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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Aliás, Alias é muito bom e você deveria ler


Como uma caralhada de gente por ai eu não conhecia muito Jessica Jones, apesar de saber por outras HQs, que ela dava uns pegas e estava gravida do Luke Cage, e por algum motivo eu sei que ela estudou no mesmo colégio que o Peter Parker. Mas não passava disso.


Já haviam me recomendado Alias antes mas, perdão pelo vacilo, eu não dei muita atenção.

O que ocorre é que depois de assistir a série da Netflix, e ficar apaixonado pela personagem, mesmo reconhecendo alguns probleminhas na série, não pude deixar de correr atrás do material base.

Eis que chego a Alias, onde encontro uma Jessica bem parecida com a da Netflix mas com várias estórias novas, pra mim, é claro, e com um imenso mundo super-heroico a ser explorado. O que, de alguma forma, me lembrou Marvels do Alex Ross e Kurt Busiek.

Tudo começa com excelente roteiro de Braian Michael Bendis, autor que já é consagrado e que eu gosto pacas. A arte, em sua maior parte, fica nas mão do Michael Gaydos, que em um primeiro momento parece meio jogada, mas tem uma narrativa fantástica. Gaydos é de uma singularidade incrível, ele já trabalhou em Demolidor também, e depois de ver qualquer quadrinização feita por ele fica fácil reconhece-lo em outros trabalhos.

Resumão: Jessica é uma ex-super-heroína que acaba desistindo da vida que leva, isso no mesmo dia em que é convidada para integrar a S.H.I.E.L.D., para abrir um escritório de investigações em Hell's Kitchen chamado Codinome Investigações. Não vou dizer aqui por que ela desistiu da vida de combatente do crime, já que esse é um dos pontos altos de um dos arcos. Claro que esse passado e os contatos que fez vão ajuda-la a resolver os seus casos, que variam de descobrir um romance homosexual do marido de uma de suas clientes, até fazer Killgrave - sim, o Homem Púrpura, o mesmo da série, ou mais ou menos isso - assumir vários assassinatos.

Eu iria falar um pouco sobre o "estilão" underground que a HQ tem, mas vou passar a palavra para Killgrave, em uma especie de quebra, mas que não é, da quarta parede:

Arte sutil, mas expressiva. Comercial com um toquezinho de alternativa.
Forte paleta de cores. (interessante.)
Já vi piores. Estive em piores.
Obrigado mestr--, digo Killgrave.

Bem, eu li três arcos, dois maiores e uma estória curta.






O primeiro arco que vai da edição #06 até a de número #09, mostra Jessica investigando um super-herói desaparecido. O que posso dizer pra não estragar a estória é que o dito cujo é o Rick Jones, que já deu rolé com o Hulk, foi parceiro do Capitão América e foi Capitão Marvel por um tempo.



O segundo arco, ou melhor, estória, pois rola apenas em uma edição, a de número #10. Essa edição é bem bacana, ela traz uma pintura aquarelada bem diferente do restante da série, e  não possui balões, mesmo assim cada personagem tem sua fala em um texto 'flutuante' na imagem.

J. Jonah Jameson ouve falar de Jessica Jones e a contrata para descobrir a identidade secreta do Homem-Aranha - é nada?!

O modo que o Bendis demonstra J.J. aqui é um dos meus favoritos, você realmente saca como ele é, hum... Como eu posso dizer isso... Cúzão. Acho que essa é a palavra adequada.

Apesar de tudo ela dá uma rasteira no véio e a estória como um todo é muito divertida.







Finalmente o terceiro e último arco que li vai da edição #24 à #28.

Chamado Purple, é dividido em cinco partes, e foi claramente a base para boa parte da série.

Um pessoal, que está ligado as vitimas do Killgrave, quer que Jessica faça ele assumir vários crimes, já que ele foi condenado a prisão perpetua e nem precisou confessar tudo - o cara tem ficha de politico brasileiro.

Neste arco é bem massa ver a relação que ela tem com outros heróis, como a relação com o Homem-Fumiga e o bebê dela com Luke.



Os diálogos e o desenrolar da trama com o Homem-Purpura é excelente, apesar de eu gostar mais do primeiro arco, por ser mais pé no chão. Mas esse com certeza não vai desagradar ninguém.

A personalidade do Killgrave desse arco chega a superar o Killgrave "Netflixiano" (?), o personagem consegue te deixar realmente "puto da cabeça".




Enfim, eu estou ainda mais apaixonado pela Jessica Jones, e acredito que Bendis conseguiu humanizar a personagem melhor que a interpretada por Krysten Ritter, apesar de ela ser uma atriz muito foda. A HQ consegue tirar proveito do universo Marvel como um todo, mas mantendo uma pegada realista, bem humorada e adulta.

O post já está gigante e mesmo assim não consegui colocar tudo que queria - essa é a vida, eu já aceitei. Finalizarei por aqui com essa linda notinha.


Atos Finais