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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Um segundo olhar sobre BvS

Aproveitei essa quarta-feira para voltar ao cinema e assistir Batman vs Superman pela segunda vez. A desculpa era levar a patroa para ver a Mulher Maravilha, mas o motivo real é que eu precisava avaliar alguns pontos do filme. Encerrada a sessão, meu sentimento em relação ao filme não mudou (eu gostei, apesar de algumas ressalvas), mas tive percepção diferente em alguns momentos. E é sobre isso que eu quero falar.




Primeiro take / último take
Há um tempo fizeram esse vídeo aqui mostrando como em alguns filmes o take inicial dialoga com o take final.



Em BvS, isso ocorre. O filme começa com os caixões dos papais Wayne chegando ao cemitério e termina com o caixão do Clark (oops, spoilers!). Isso poderia ser um ponto positivo para o filme, mas só mostra como as prioridades do Snyder são erradas na direção. Muita preocupação com a forma em detrimento do conteúdo. 

Sequência de sonho for dummies
Uma das coisas que mais me incomodou na primeira vez em que assisti foi o voo do pequeno Bruce para fora da caverna. Aquilo me irritou num nível inexplicável. Assistindo pela segunda vez, reparei que o Snyder colocou um elemento ali para falar: "Ei, trouxa, se prepara que isso aqui é um sonho. Algo estranho pode acontecer". Na transição de um take em que as pérolas do colar da Martha caem para outro em que Bruce está no chão da caverna, umas das pérolas acompanha o garoto. E, por falar em sonhos...



Por que tantos sonhos?
Pensa comigo: Bruce Wayne certamente não é um cara muito bom da cabeça. Se fosse, não sairia por aí fantasiado correndo atrás de bandido. Podemos então supor que ele vive sendo assombrado por suas lembranças e experiências, certo? Se os sonhos fossem um lance dele, não seria lá um grande problema. Mas por que diabos colocar o Clark batendo papo com o pai no alto do morro? Todo mundo tem uns sonhos loucos e vívidos assim? Eu não tenho. 

Temos quatro sequências de sonhos no filme: morte dos Wayne / descoberta da caverna, morcego gigante saindo do túmulo da Martha, futuro Mad Max do Superman de Injustice com Batman de Entre a Foice e o Martelo e Jonathan Kent contando causo enquanto empilha pedras. Todos são completamente desnecessários e quebram o ritmo da história.

Se eu fosse o roteirista, deixaria apenas o futuro, mas não como um sonho. Deixaria claro que é uma visão e ligaria melhor à trama do filme. Mas eu não sou, então só me resta resmungar aqui.

Luta de pesos pesados
Quando saí da sessão anterior, uma das coisas que mais ficou na minha cabeça era a luta entre Batman e Superman. Achei tão bom o embate que precisava ver de novo para saber se minha opinião mudaria. No replay, não só confirmei meu apreço pelo confronto como pude observar melhor alguns detalhes.


Aquela não é a luta padrão de filmes superheroísticos. Não são dois caras no auge da forma fisica saltitando como se a lei da gravidade não existisse. São dois titãs pagando caro pelo embate. Ambos limitados, ambos tentando ir além da própria capacidade. A armadura é pesada, cada golpe é um sacrifício para ser desferido e o oponente sente todo o impacto. Me admira eles terem conseguido sair dali para uma outra luta.

O fantasma do spoiler
Não sei o quanto você conseguiu se esquivar dos spoilers antes da estreia do filme. Eu fracassei. Mas a verdade é que não dou muita bola para spoilers, então nem perdi meu sono por causa disso. O problema é que tinha um spoiler falso (não só um, na verdade). Diziam que ao final do filme o Superman reapareceria todo pimpão, lépido e faceiro saindo do sol. Esse spoiler me assombrou, afinal esse era um dos piores finais possíveis do filme.


Acontece que do momento em que o Homem de Aço vira presunto até os créditos começarem a subir, eu não consegui me focar em mais nada. Fiquei esperando a ressurreição que nunca veio. UFA!

Nessa nova oportunidade de assistir, já não estava preocupado com isso e pude aproveitar melhor a experiência. E não é que valeu a pena? Cheguei até a me emocionar (não me orgulho disso) com os enterros de Superman e Clark e na discrepância de público e atenção em cada um.

Após esse segundo olhar, minha impressão permanece. É um bom filme, mas que padece de dois enormes defeitos: um diretor fraco e produtores que não têm apreço pela obra original e essência dos personagens. Torço por um caminho de mais acertos para o futuro da DC nos cinemas.

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