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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Como Bloodborne me ajudou a não entrar em depressão



Então, o DLC de Bloodborne, The Old Hunters, saiu essa semana, e depois de muita alegria, mistérios e aquela dose de Lovecraft alta o suficiente para matar elefantes, eu matei todos os chefes. Yei. Só coisa boa. De fato, foi tanta coisa boa que eu fiquei extremamente tentado a escrever algo sobre o assunto. O que me levou a um texto que eu queria tirar do peito faz muito tempo.

 Pra começar, gostaria de deixar algumas coisas bem claras. Primeiro: Depressão é uma merda. De verdade. Se você acha que está entrando em depressão, busque um psicólogo ou conforto de pessoas em que confia. Segundo: Eu não cheguei a entrar em depressão (acho), mas, como conheço os sintomas, senti que estava chegando perto. O que torna minha admiração pelas pessoas que realmente sofrem de depressão ainda maior.

 Agora, vamos começar. Em meados de março desse ano, eu entrei no que vocês, jovens, chamam de bad. Não vou entrar em detalhes, mas apenas saibam que eu estava na merda. 

 E, naquele estado de vida agradável, decidi fazer o que fiz a minha vida inteira: recorrer ao escapismo. Soube que um sucessor espiritual de Dark Souls estava vindo, e comprei sem nem considerar nada. Caso eu tivesse pensado, talvez tivesse guardado a grana. Isso porque Bloodborne é difícil pra caralho. Um parto, especialmente para alguém que nunca tinha jogado algo parecido antes. Só que, incrivelmente, era tudo que eu precisava.


Veja, eu precisava de uma distração. Necessitava desesperadamente esquecer todas as bostas que passavam na minha vida, e, além de muitas coisas, Bloodborne é um jogo que demanda sua total concentração. Não tem muito espaço para recordar as lembranças ruins quando se está lutando contra a mesma horda que caçou o monstro de Frankestein, Quanto mais eu jogava, mais imerso eu ficava, e isso era um dos combustíveis para que eu seguisse em frente através das dificuldades do jogo.

 O outro combustível, e esse eu considero o mais importante, é a sensação de "caralho, sou foda" que surge quando você ultrapassa uma barreira difícil (algo que o jogo está cheio). Em nenhum momento chegou a ser algo consciente, mas eu estava em uma situação em que me considerava o lixo dos lixos. Essa pequena dose de endorfina me ajudava a trabalhar contra essa sensação, e conforme eu batia a cabeça na parede para avançar em Bloodborne, mais ela se tornava frequente.

 Se você acha meio difícil um jogo te absorver o suficiente para dar essas sensações, acho que esse post não é pra você. Contudo, tente comparar ao esporte. Todos sabemos que, se nosso time ganhar, nossas vidas vão continuar as mesmas, mas é uma alegria independente que é importante. Toda alegria é importante. No caso dos videogames, ela ainda vem com um adendo especial: não foi seu time que ganhou, foi você quem ganhou.


E, lentamente, eu fui melhorando. Isso quer dizer que Bloodborne sozinho me curou de todos os problemas e todos deveriam fazer o mesmo? Não. Céus, não. Vá num psicólogo, como eu deveria ter feito. O propósito desse texto é apenas um agradecimento a um jogo que, surpreendentemente, me ajudou a me manter em pé nos momentos difíceis.

 E não foi apenas Bloodborne. Community foi um incentivo absurdo na minha auto-estima (e o motivo de eu defendê-la com unhas e dentes), e até os meus queridos amigos desse blog simpático (especialmente a Pri, aquela linda). São pequenas coisas que seguram as pontas enquanto você mesmo não resolve as coisas.

 E aliás, o DLC de Old Hunters veio justamente quando eu voltei a ficar na merda, e ainda por motivos parecidos. Só que, assim como meu personagem, foi bem mais fácil. Que incrível sincronia, não? É melhor eu me preocupar quando Dark Souls III lançar...

 E, para encerrar numa nota alta depois desse texto, toma minha vitória divertida contra o primeiro chefe do DLC. Spoilers, acho.



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