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5 de outubro de 2015

Perdido em Marte (Resenha)


O universo tem seus mistérios, e os humanos parecem apreciar tudo isso. No dia 27 de Setembro, tivemos um eclipse lunar que, de maneira peculiar, fez o nosso satélite natural ficar com a cor vermelha. Semana passada, a NASA descobriu água no planeta conhecido por ser inóspito a condições climáticas: Marte. E todos eles movimentaram uma série de debates, dentre eles a importância da pesquisa espacial.



Hollywood também lança mais um motivador de debates sobre o assunto. Perdido em Marte (tradução tosca de The Martian) é um filme baseado no aclamado best-seller de mesmo nome, escrito por Andy Wear, e que conta a história de uma equipe de expedição a Marte que teve de sair às pressas do planeta devido à uma tempestade de areia no deserto marciano. Porém, um dos astronautas, Mark Watney (Matt Damon), acaba sofrendo um acidente em meio a tormenta, e é dado como morto por sua equipe. Tempos depois, descobre-se que Watney não só está vivo mas também procurando formas pra tentar sobreviver no planeta com poucos recursos, além de procurar meios de se comunicar com a NASA, que, por sua vez, passa a não medir esforços para tirá-lo daquela situação o quanto antes.



O trabalho de pesquisa do filme, de tão intenso, chega a ser perceptível. Há um certo cuidado na hora de lidar com alguns preceitos científicos, desde o simples fato do sobrevivente resolver cultivar batatas em um planeta conhecido por ter um solo infértil, até na forma como resolve se contactar com a Terra. E isso tudo justificado com um certo arcabouço teórico pelos personagens, sem a necessidade de subestimar a inteligência do expectador. Ponto para o roteirista Drew Goddard (seu nome ganha mais força depois da série do Demolidor).



Mas não pense que o filme é uma longa tese de doutorado monótona. Ele também consegue ser bastante divertido, com um humor fácil e certeiro. Matt Damon nos entrega um personagem confiante e divertido, que, apesar das condições adversas, tentar SOBREVIVER e VIVER ao mesmo tempo, fazendo com que passemos a torcer por ele o tempo todo. O elenco secundário também nos cativa pelos mesmos motivos. Destaque para Michael Peña no papel do Major Martinez (um dos tripulantes da missão), Chiwetel Ejiofor como Venkat Kapoor (diretor da NASA responsável pela viagem) e Jessica Chastain como a Comandante Lewis (que rende ótimos alívios cômicos por seu gosto musical peculiar).



E, por último, como não falar do diretor Ridley Scott!? Que bom ver ele novamente nos entregando um produto de qualidade, apesar das recentes - e terríveis - produções atuais. Dessa vez ele Prometheus e Cumprius (tinha que fazer essa piadinha infame)! Diferente de suas clássicas obras de ficção Alien e Blade Runner, Scott tenta dar a esta película um tom mais descontraído e otimista, mas sem deixar de lado os momentos de tensão e a dramaticidade.



Portanto, não perca tempo. Vá o quanto antes assistir Perdido em Marte antes que ele saia de circulação nos cinemas (o filme foi distribuído em poucas salas no Brasil). E de preferência, assista em 3D legendado, para notar mais nuances dessa produção tanto em efeitos especiais como em atuação. Não vá esperando um novo 2001, a pegada do filme é mais leve e descompromissada, diferente de certas obras que se venderam assim recentemente e nos desapontaram.

Podem chorar daí, fanzocas do Nolan!

Em uma época em que o mundo e as pessoas que nele habitam nos parecem estranhos, não custa nada olharmos mais para as estrelas...

8,543321 Panquecas.


P.S.:
O filme já merece a minha admiração eterna por colocar Starman do David Bowie em sua trilha sonora...


Atos Finais