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11 de setembro de 2015

Opinião Fecal - X-Man Origens: Deadpool, Deadpool por Mark Waid e o Ranço dos Velhacos


Esse é um post de coisas velhas. Estou revivendo o "Opinião Fecal" do Diretor Coulson - ? - e, falando de uma fase velha do Deadpool.

Então, vamos lá!

Deadpool e a crítica dos velhacos:


Os velhacos de plantão têm um ranço com o Deadpool, principalmente por ele ser uma cria do Rob Liefeld e do Fabian Nicieza, carregado de pochetes e clichês recorrentes dos anos noventa, mais conhecida como a idade das trevas dos quadrinhos.

Mas analisando de forma sucinta sabemos que o Deadpool "atual" - leia-se, o das duas HQs analisadas aqui - não é mais a cópia descarada e sem carisma do Exterminador da DC Comics, ele despontou para um lado mais cômico e surreal, inclusive, tendo sua origem recontada/recriada em X-Man Origens: Deadpool, por Duane Swierczynski e Leandro Fernandez (respectivamente, roteiro e arte), onde já começamos a ver o mercenário tagarela bem diferente do que acompanhávamos nas suas primeiras aparições.

Esses mesmos velhacos têm mania de usar o princípio Alan Moore, de que o problema é sempre o roteirista e não o personagem, para justificar algumas HQs. E eu também sou um desses caras! Mas parece que anulamos a tal "lei" para personagens como Deadpool, que não são "crássicos".

Toda a experiência de merda que tive com os X-Man, e consequentemente com o Deadpool pelas mãos do Liefeld e sua turma nos anos noventa me afastaram dos mutantes durante a infância, e só vim recuperar interesse pelos personagens na adolescência.

Com a crescente popularidade que o personagem recebeu nos últimos anos resolvi dar outra chance ao mesmo, peguei o X-Man Origens, já citado no início do post, e as quatro primeiras revistas solo do personagem que saíram em 1994. Deixei elas por um ano pegando poeira - como eu disse, sou dos caras que tinham um ranço enorme com o mercenário tagarela.

X-Man Origens: Deadpool - "O Grande Filme"


Como bem descreve o título, nela será recontada a origem do Deadpool. De uma forma um pouco diferente do convencional.




Wade decide que sua estória daria um bom filme, daí acompanhamos inicialmente a seleção dos roteirista. Após algumas piadinhas e tiros no joelho, Wade começa a dar atenção e contar sua estória ao primeiro roteirista que ao invés de lhe fazer milhões de promessas resolve ouvi-lo.

Ele sempre foca em contar suas façanhas como Deadpool mas o roteirista insiste em ouvir mais sobre Waid Wilson e menos sobre o mercenário. Nisso conhecemos uma versão da estória bem diferente da contatada na primeira origem do personagem, sem tanto drama e mostrando um lado realmente mais "humano" e menos massavelho do personagem, nada merecedor de um Eisner, mas o texto consegue levar o leitor até o final da HQ sem muito esforço.


Logo no final do quadrinho temos algumas surpresas, o que eu realmente não esperava vindo de uma HQ de origem com uma proposta mais leve, roteiro simples, e claro, do Deadpool.

conceitos legais nela, principalmente o foco em reconhecer a demência e humor nonsense de Wade Wilson, que ao meu ver abre um leque de possibilidades para as aventuras posteriores.

Isso quer dizer que X-Man Origens: Deadpool é perfeita? Não! Longe disso na verdade, os desenhos e a colorização realmente deixam a desejar e o roteiro é simples, como já foi falado. Mais ainda assim vale a leitura.

NOTA: 7,87 Panquecas.

Deadpool por Mark Waid e Ian Churchill


Essa é a revista solo do Deadpool de 1994, e eu peguei ela simplesmente pela numeração - 1,2,3 e 4 - mas tive duas surpresas: elas não contam uma estória de origem e, tem roteiro do Mark Waid. Sim! O Waid do Demolidor! O Waid de O Reino do Amanhã!

E nesse momento foi que pensei, se esse cara não conseguir resolver essa bucha, só um autor inglês na causa.


Waid é o cara, ele conseguiu fazer a passagem do Deadpool vilão chato e sem carisma para um anti-herói que você realmente quer ver.
Ao todo, dois mil homens ouviram os gritos.
Quatro horas, o barulho de carne arrancada dos ossos misturado com lamentos e orações para um Deus que não iria responder.Dois mil homens escutaram naquela noite, tendo um conforto singular no fato que os gritos no porão não eram os deles - 1994, Deadpool #01

Na HQ, Black Tom Cassidy está sendo consumido por um vírus de crescimento de madeira. E quem está ali para cura-lo? Killbrew! O cientista responsável pelos poderes de Deadpool.
Ele acha que pode curar Cassidy com os genes do mutante tagarela, mas no meio da captura de Deadpool Banshee, irmão de Cassidy, e sua filha Siryn aparecem para se unir ao piscina-morta na busca por Black Tom, só que eles não querem a morte do irmão/tio - família tá ai pra isso - e sim que fique preso e pague pelos seus crimes em vida.

A trama principal rola em meio a desconfiança que Banshee e Siryn tem do mercenário por causa de seu passado - o que é bem justo, diga-se de passagem - e da de Deadpool pelos dois, pois ele não sabe se os mesmos vão preferir salvar a pele de Cassidy ou a dele.

O roteiro diverte e prende, mesmo com alguns romantismos que, na minha opinião, não se encaixam muito no perfil do personagem. Temos muitas piadinhas engraçadas e sutis, o que me lembrou um pouco a fase do autor em Demolidor.

A arte de Ian Churchill reflete o que estava em alta na época, não chega a ser um Liefeld, mas também não me agrada, as vezes é preciso um olhar mais atento para entender a ação. Esse é com certeza o ponto mais fraco da HQ, mas para leitores menos exigentes talvez não incomode tanto.

NOTA: 8,97 Panquecas.


Considerações finais:


Eu não acompanho, e provavelmente não acompanharei, o que está saindo atualmente do Deadpool, mas acredito que esse ódio a personagens que não conhecemos ou só conhecemos passagens ruins, tem que ser deixado de lado. Não que não devamos encher o saco das editoras quando tiverem péssimos trabalhos saindo, mas temos que saber que não se trata só do personagem.
Quem é fã de quadrinhos tem que valorizar estórias boas, independente do teu personagem favorito, e, quem acompanha a indústria a algum tempo sabe que essa mídia produz muito mais conteúdo medíocre, principalmente de personagens conhecidos, do que qualquer outra coisa.


Bom, tá ai uma imagem pros que vão estourar o absorvente nos comentários:



Atos Finais