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8 de setembro de 2015

Mr. Robot (1ª Temporada) - Resenha


...Porque é doloroso não fingir, porque somos covardes...

Que o mundo está em maus lençóis, todos nós estamos carecas de saber. A questão dos imigrantes adentrando a Europa, a Grécia quebrada, os Estados Unidos enxergando no horizonte mais um colapso econômico assim como o Brasil lidando com seus escândalos de corrupção e disparada de preço dos produtos. Tudo indica que o sistema está em crise. E se tudo isso na verdade tivesse uma mão por trás? Ou pior, e se esta mão também lidasse com suas crises internas?



Essas questões vêm a tona com a libertária Mr. Robot, série estreante e exibida no canal norte-americano a cabo USA Network, que justamente é conhecida por não ter um conteúdo tão aprofundado em sua programação, mostrando nessa produção um ponto fora da curva. A história segue Eliot Alderson, um jovem programador que trabalha em uma empresa de segurança de internet durante o dia, e que age como hacker em seu tempo livre, com intuito de "proteger as pessoas", algo irônico, dado a circunstância de que este personagem apresenta um comportamento antissocial e hermético.



Suas ações chamam a atenção de uma organização denominada FSociety, que segue modos similares aos do Anonymous, vazando informações sigilosas de empresas ou praticando invasões em sites de grandes corporações. O inimigo a ser enfrentado nesta série é um grande conglomerado com o nome de E Corp (referenciado de forma vexatória entre os personagens como Evil Corp), uma multinacional que basicamente detém boa parte dos bens e serviços tecnológicos. A função de Eliot e da FSociety é de desmantelar a corporação e de "libertar o mundo das pessoas gananciosas". O problema é que o protagonista antes terá de enfrentar seus demônios internos.
Se a premissa parecer igual a algumas outras obras, não se espante! A serie de Sam Esmail traz um plot que mistura desde Clube da Luta a V de Vingança (sejam os filmes ou os materiais literários), com uma pitada de Psicopata Americano, como podemos perceber no personagem Tyrell Wellick, um jovem executivo que não medirá esforços pra conseguir o que ele quer.



Outro destaque vai para as atuações, visto que o ator Rami Malek defende muito bem seu trabalho como o protagonista da trama, sabendo passar todo o transtorno e niilismo que o Eliot pede. Assim como podemos destacar Christian Slater, aqui dando vida ao personagem que dá nome à série, um cara que pode ser tanto um guru intelectual do jovem hacker como o causador de seus maiores transtornos, que vão se intensificando ao longo dos episódios. Outro destaque vai para a trilha sonora intensa, que dá todo o tom de tensão as cenas e que lembra muito os trabalhos realizados por Trent Reznor (ex-Nine Inch Nails) para os filmes de David Fincher.
Portanto, assistir Mr. Robot se torna tanto obrigatório como essencial, pois ali está sintetizado todos os elementos que compõem a época um pouco obscura a qual passamos. Se em algum momento ela parecer complicada ou algumas coisas parecerem absurdas demais, basta voltarmos a nossa realidade pra constatarmos que o mundo a nossa volta carrega contradições indecifráveis, até para o melhor analista de sistemas do mundo. Recomendado!

9,0 Panquecas.





P.S.: Destaque pras belíssimas Carly Chaikin, que interpreta a louquinha Darlene...



...Stephanie Corneliussen, que interpreta Joanna Wellick, esposa de Tyrell...


E pra Portia Doubleday, que dá vida a Angela Moss, amiga de infância e colega de trabalho de Elliot.



Atos Finais