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22 de setembro de 2015

CONTOS DOS LEITORES - ROUBO DE CARGA (POR DONCAS MURRO) PARTE 04


Parte 4 – Fuga do trem


Maxine Moon fora treinada durante a infância e a adolescência para usar suas mãos como armas. Sabia perfeitamente como matar um homem sem grandes dificuldades, independentemente do tamanho ou da força de seu oponente. Mas o principal é que ela gostava de matar. E foi com sorriso nos lábios que ela saltou sobre os primeiros seguranças do Expresso Luckywinds. Estraçalhou a traqueia de um. Espatifou a cabeça de outro contra a parede. E quebrou o pescoço de um terceiro. Tudo isso com apenas um chute. Golpe a golpe, ela avançou pelo corredor, até que os demais não conseguiam mais vê-la.

Ainda na porta do compartimento, Carmanguia, D’Oris, McKenzy e o camareiro se viram sozinhos. Sem a ajuda da assassina, eles precisariam organizar-se para sobreviver. Determinado a viver mais um dia, pelo menos, Carmanguia Batista tomou a frente do grupo. “McKenzy, no curso da Agência Espacial Mercante você aprendeu apenas a pilotar ou também a atirar?”, questionou. O piloto respondeu que atirava apenas com os canhões das naves. “Pegue então uma das armas dos seguranças. Não deve ser muito diferente.” O próprio assaltante pegou uma arma e deu ordem ao camareiro para que amparasse e protegesse a carga viva que haviam ido buscar. “Façam suas preces para Allah-Jehovah. Vamos precisar!”

Verdade seja dita, a senhorita Moon já havia feito grande parte do trabalho pesado. Restavam apenas alguns seguranças já fisicamente comprometidos ou que haviam sido convocados tardiamente. Eles avançaram com Carmanguia e o piloto à frente, garantindo a integridade dos demais. Do compartimento de onde tiraram D’Oris até a nave auxiliar, eram 885 metros. Nesse deslocamento, eles passariam por cerca de duas mil pessoas, das quais, pelas informações do camareiro, pouco mais de 120 eram seguranças. A esperança do assaltante era que a senhorita Moon tivesse atraído o máximo possível de atenção, deixando o caminho deles relativamente livre. E assim foi. De tiro em tiro, foram ganhando terreno no trem, até que ficaram sem munição. Nesse ponto, já parecia que a chegada deles à nave auxiliar estava certa, até que foram cercados.

Estavam no último módulo de passageiros. Cinco seguranças à frente. Outros cinco atrás. “Espero que você também tenha aprendido a lutar”, disse o assaltante a McKenzy. Carmanguia tinha longo histórico de brigas de rua, onde tirava um dinheiro extra quando não tinha nenhum roubo planejado. Eles tinham um clara vantagem: os seguranças evitavam ao máximo usar suas armas. Tinham medo de comprometer a estrutura da composição. Com isso, davam preferência aos cassetetes elétricos. O choque deixava a vítima um pouco tonta, mas não chegava a derrubar.

De cara, McKenzy levou dois golpes e caiu no chão. Carmanguia deu cobertura a ele, para que conseguisse se levantar. Enfrentaram os seguranças com determinação até que ouviram um grito de D’Oris. Ela e o camareiro estavam sendo levados por alguns soldados que acabavam de chegar ao módulo. “Não vamos conseguir salvá-los”, lamentou o piloto. Carmanguia concordou: “Sim, salvar os dois será impossível. Mas ainda podemos resgatar a mulher.” Assim, foram para cima e recuperaram D’Oris, mas o camareiro acabou subjugado por seus colegas da Luckywinds.

Amparando a líder rebelde que ainda cambaleava sem forças, eles correram para o módulo da nave auxiliar, esperançosos de concluir o trabalho e voltar para a CH20. Lá, encontraram Maxine Moon encostada na nave, com cara de tédio. “Muito obrigado por nada”, resmungou o piloto, se preparando para assumir o pequeno veículo. Carmanguia e D’Oris já estavam perto da escotilha de acesso da nave quando ouviram uma pancada seca. Era o corpo de McKenzy caindo no chão. Tinha um buraco no peito, de onde era possível ver até as costelas. Ao lado dele, a senhorita Moon limpava o sangue de sua mão direita.


Atos Finais