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11 de agosto de 2015

A crítica tem o poder de fazer um filme fracassar?


"Senta, que lá vem textão..."

Nunca me esqueço de um diálogo de Birdman, em que os personagens Riggan Thomson (Michael Keaton) e Mike Shiner (Edward Norton) estão em um bar conversando, quando Mike avista dentro do estabelecimento a crítica de teatro mais ferrenha da Broadway, capaz de "destruir carreiras com uma crítica negativa". Riggan chega a interpelar a tal mulher, e diante da afirmativa de que sua peça iria ser mal avaliada, o seu mundo meio que desaba a partir dali, culminando em uma série de acontecimentos até o final do filme.


Essa ideia de que críticos de cinema e de arte podem ser capazes de destruir carreiras, influenciar no resultado final de bilheterias e tudo mais é antiga, e vem sendo cada vez reforçada pelas tais "vítimas" do fracasso. Um exemplo foi Johnny Depp, que culpou as resenhas negativas pelo fracasso de Cavaleiro Solitário, longa da Disney que mais parece o Piratas do Caribe do Velho Oeste.



Desde quinta nos cinemas, o novo filme do Quarteto Fantástico (leia a crítica de Lorde Mamilos) parece ser o novo alvo do escrutínio popular, alimentando a teoria de que as críticas enxergam uma falsa ruindade no filme apenas pelo fato de que ele modificara livremente alguns personagens da HQ da Marvel. Ao meu ver, uma desculpa estapafúrdia que tenta aliviar o estúdio (FOX) e o diretor (Josh Trank) do peso que o fracasso pende sobre seus ombros. Se crítica negativa de fato influenciasse no sucesso de filmes, a franquia Transformers não atingiria a marca do bilhão sempre que lança uma sequencia, ou Adam Sandler não lucraria tanto toda vez que nos obriga a presenciar a mais uma de suas deploráveis comédias.



Seria muito mais honestos que os profissionais ligados ao filme admitissem que seus planos saíram errados ao invés de culpar a imprensa. Afinal, quantas pessoas que vão de fato ao cinema e que leem antes uma crítica sobre a obra que pretendem ver? Pouquíssimas. Sem falar, que há meios por aí que tentar dar uma "camuflada" cada vez mais em troca de sessões exclusivas, premières, passes livres em bastidores de filmagens, até compensações financeiras. Vale lembrar do recente escândalo envolvendo o Globo de Ouro, que teria alguns membros votantes recebido certas regalias de um estúdio apenas para que estes indicassem um de seus filmes. Logo, essa teoria cai por terra. Enquanto isso, o que devemos esperar dos estúdios e desses profissionais é que nos entreguem bons materiais para apreciarmos, e nem precisa fazer como o Riggan ao final de Birdman. Com certeza, o sucesso e o fracasso de produções não são passíveis de atos mais extremos.


Que fique apenas o aprendizado.

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