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17 de julho de 2015

Liga da Justiça - Deuses e Monstros (Crítica)


Modificar algumas coisas no Universo DC é sempre como mexer em um vespeiro. Não há como fazer livres adaptações dos personagens com décadas de cânone sem desagradar a alguém. Ainda mais se este personagem é uma das principais estrelas da companhia. Quem dirá então mexer nos três mais poderosos da editora?
Pois foi tomado por esse entendimento que a equipe de animação da DC Enthertainment, novamente sob a batuta de Bruce Timm (responsável por desenhos como Batman: The Animated Series, Batman Beyond e Justice League Unlimited) resolveu criar um universo paralelo, usando os mesmos heróis, porém adotados por personas diferentes...


Liga da Justiça - Deuses e Monstros é uma animação que narra a formação de um supergrupo formado por um Superman filho de Zod, um Batman que combate o crime feito um vampiro insaciável, e Bekka, de Apokolips, adotando o nome de Mulher Maravilha.
No começo, acompanhamos estes novos "heróis" no combate ao crime, agindo de forma mais dura, sem pudor algum de matar seus inimigos ou de machucá-los gravemente, mas mantendo o mesmo cerne da Liga original (o de proteger os humanos e o planeta). Porém, são duramente criticados pela mídia e pela opinião pública. As coisas parecem se complicar mais quando androides, que agem com mesmo Modus operandi, começam a matar cientistas renomados, como o Dr. Victor Fries (o Mr. Freeze), Ray Palmer (o Eléktron) e Silas Stone (pai de Victor Stone, o Ciborgue).


A animação nos mostra como seriam os lendários personagens da DC se quebrassem o dilema maior de não matar ou se agissem de maneira mais sombria. Podemos até fazer um paralelo com o universo que Zack Snyder está criando no cinema. A diferença está na forma como Bruce Timm dá uma tridimensionalidade aos personagens, atribuindo a eles camadas profundas, não fazendo-os de meros porradeiros dispostos a destruir tudo a sua volta aleatoriamente, tudo em nome do entretenimento vazio. Vemos isso no personagem do Kirk Langstrom (o Morcego Humano no universo regular), que aqui adota o manto do Batman. Ele age por instinto devido a um experimento mal sucedido na busca da cura para uma doença terminal, ao mesmo tempo que é um ser amargurado por não ter ao seu lado a mulher que mais ama, Tina (a Platinum), aqui casada com o Will Magnus, o criador dos Homens Metálicos. O Superman, aqui denominado Hernan Guerra, foi criado por refugiados mexicanos, que lhe deram uma educação similar a de Martha e Jonathan Kent, porém sem aquele escopo do American Way of Life, logo, a vida foi um pouco mais dura com ele. Bekka é sofrida por ter perdido seu amado, o Orion, devido conflitos entre os Novos Deuses e a casta de Darkseid.


Ao todo, a animação nos mostra que, mesmo tomados por motivações e dilemas diferentes, esses novos heróis continuam abnegados e se importando com a humanidade, mesmo que de maneira dúbia e obscura. É impressionante como o time criativo conseguiu colocar inúmeras referências do Universo DC, com certas mesclas e liberdades criativas (como o Lex Luthor, que possui aqui atribuições similares a de Metron), sem parecer um fan service superficial (e mais uma vez, evoco o Snyder). A volta de Bruce Timm vem revigorar o ramo mais forte da produtora, que andava capengando há 3 anos. O bom filho a casa torna, e assim esperamos que mais frutos sejam tão bem sucedidos quanto este. Obrigado, Bruce!

9/10 Panquecas.

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