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19 de maio de 2015

Mad Max - Estrada da Fúria (Resenha)



Tiro, porrada e bomba...



Se você gosta de cenas de ação em que carros e pessoas fazem movimentos que desafiam as leis da física, lotadas de efeitos visuais pouco convincentes, e com piadinhas fora de hora, sugiro que procurem a sala ao lado, que está exibindo Velozes e Furiosos...


Melhor ainda, assista primeiro Mad Max - Estrada da Fúria e presencie uma verdadeira aula de ação, coreografias de lutas bem ensaiadas e aproveitamento de efeitos práticos, sem parecer clichê ou anacrônico.

O diretor autraliano George Miller estava há anos tentando emplacar este filme, quase não rolou. O ator principal da franquia, Mel Gibson, desistiu no meio do caminho, faltou grana, teve tempestade no deserto da Austrália, começou a nascer vegetação no local e outras o estúdio da Warner não parecia estar empolgada com a ideia inicialmente, dentre outras coisas que quase fizeram a produção andar pra trás. Mas a boa notícia é que apesar dos pesares, finalmente saiu, e você provavelmente irá encontrar o filme mais insano, mais explosivo, mais veloz e furioso desse primeiro semestre (se me permitem essa indireta).

O filme nos mostra o mundo depois de uma guerra termonuclear, onde os recursos foram quase escassos ou estão contaminados. A sociedade a qual conhecemos foi destituída, e a integridade moral deu lugar a regras de homens sem pudor algum, que usam máquinas envenenadas para fazer valer sua autoridade. É o caso de Immortan Joe (vivido por Hugh Keays-Byrne, que já viveu outro vilão no passado da franquia, o Toecuter), um déspota que governa a Cidadela com mãos de ferro, e que detém boa parte dos recursos naturais, uma moeda de barganha forte que dá a ele status de quase líder messiânico. No outro extremo temos a Imperatriz Furiosa, uma de suas asseclas que decidiu se voltar contra aquela forma de poder, não sem antes levar consigo os "bens" mais valiosos de Immortal - suas esposas.


E o Max? Sim aquele que dá nome ao filme? Bem, ele aparece na trama como elo de ligação entre os personagens, economiza falas e quase não aparece muito na ação... E isso é ruim? De forma alguma! Max, seja o do Mel Gibson ou do Tom Hardy é um cara que sempre acaba se envolvendo em situações contra a sua vontade, mas que no final decide fazer a coisa certa (mesmo que os motivos pareçam ineficientes).



Quanto a ação, esta é surpreendente, e te lança na primeira hora do filme em uma sequência de tirar o fôlego, sem muitas pausas para explicação ou dramalhões típicos de blockbuster. Portanto, se você for ao cinema esperando mais uma historinha em que o mocinho se envolve afetivamente com alguma coadjuvante, é melhor fazer o que sugeri no início do filme...



A Direção de Arte deste filme é impecável, tanto que ao mesmo que encanta nossas vistas apesar da paisagem árida, nos incomoda com sua estranheza visual, que também nos impressiona pelos detalhes. Um cenário quase que saído de algum filme de Jodorowsky ou do David Lynch.

Das atuações, a que mais se destaca é a da Charlize Theron como Furiosa, uma personagem que é tanto badass como tem de ser, quanto também rende momentos sensíveis, fazendo com que o personagem não fique tão masculinizado. Outro que também se destaca é Nicolas Hoult como Nux, um dos Garotos de Guerra de Immortan Joe, ansiando pelo momento que terá uma morte digna (e cromada), adentrando no panteão do que ele chama de "Os Maiores Guerreiros de Todos os Tempos".


O saldo final da produção de Miller é uma ação frenética, assustadora por traçar um espectro niilista de uma sociedade futurística onde a moral e a sanidade são tão escassos quanto os recursos e a gasolina, ao mesmo tempo que nos mostra que a racionalidade precisa ser mantida mesmo em casos extremos, seja representado pela figura de Max ou por um grupo de mulheres que não querem mais serem tratadas feito objetos. Filmaço!

8,97134 Panquecas.

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