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6 de maio de 2015

Conventionis: Capítulo 4 - Sobre a garota de cabelos loiros

 - Não acredito que temos que fazer isso. - Duas pessoas caminhavam no seio da floresta fechada, iluminados palidamente pelos raios vermelhos e avulsos do pôr-do-sol. Um era um homem alto e moreno com barba por fazer, enquanto que sua companheira era uma mulher de pele escura e cabelos encaracolados. Trajavam ambos calças almofadadas e camisas finas, mas o homem vestia um casaco escuro por cima de suas roupas enquanto a outra usava uma manta amarela de duas camadas. - Sophie não deveria estar aqui consertando a nova merda dela?

 - Ela estava cuidando dos viajantes. E pare de falar assim da garota. - Censurou a mulher, levantando um galho à esquerda para poder espiar melhor. - Vamos só cuidar desse orc antes que o comandante fique ainda mais puto com a coitada.

 - Clara. - O homem parou, forçando a outra a se virar. - Você sabe muito bem que Leon já está de saco cheio. E não é o único. - A mulher desviou os olhos, repentinamente melancólica.

 - Ele disse que iria cuidar dela hoje. Espero que-- Um machado varou repentinamente na direção de sua cabeça, cortando o ar e as folhas. Clara por reflexo se jogou para trás, o sangue voando de um corte na bochecha.

 - EI! - O homem puxou um frasco de seu cinto e o arremessou para frente, explodindo em uma figura gigante. O orc gritou e tropeçou para trás, sua pele verde banhada por um líquido azul e fumegante. Ele tateou o peito em desespero, dando tempo para que a mulher se levantasse.

 - Eu acabo com isso. - Soltou para o companheiro antes de disparar para frente. A criatura só conseguiu encará-la amedrontada antes de uma tonfa acertar seu rosto, quebrando uma das enormes presas que saía da boca. O orc caiu pesado no chão com os cabelos negros tapando o rosto, tateando pelo machado caído. Clara chutou a arma para longe antes de golpeá-lo mais uma vez, desta vez quebrando o osso entre os olhos. - Mande o seguinte recado aos seus companheiros na casa dos mortos, monstro. - Disse ela ao puxar uma adaga da cinta. - A Guarda Reluzente não deixará nenhuma criatura chegar aos portões de Durandar. Nem mesmo Zemopheus.


 Depois de quase uma semana dormindo em barracas ou no meio da floresta, é bom chegar em uma cidade. Teto firme. Abrigo do vento. Uma quantidade considerável de insetos a menos. Só alegria.

 O nome da cidade é Durandar, uma fortaleza no meio da floresta. Normalmente esse tipo de lugar já deveria ter sido obliterado por orcs, mas de alguma forma eles conseguiram se defender. De fato, quando chegamos havia uma trilha de corpos ao redor dos muros. Tudo isso apenas com arcos e flechas. Para uma civilização primitiva, eles sabem se virar.

 E nisso eu e Amanda quase fomos alvejados embora ela tenha se esforçado bastante para isso, mas consegui convencer o líder deles a nos abrigar em troca de informações sobre os orcs. Ele mandou uma garota cuidar da gente enquanto não marcássemos nossa reunião. Ela parece meio pra baixo, mas acho que eu ficaria também se tomasse um esporro na frente de todo mundo. Coitada.

 De qualquer jeito, agora temos um teto. Viva. Só que as coisas poderiam ser melhores.

 - Tantos prédios nessa cidade... - Começou Dalan, afastando a caneta do papel. - E tinham que nos colocar no mesmo quarto.

 - Você só reclama. - Soltou Amanda, deitada em seu colchão com as mãos atrás da cabeça. Estavam em um quarto apertado e de teto baixo, com apenas duas camas e uma mesa baixa no centro. As paredes de madeira estavam mordiscadas por traças, e um simples candelabro iluminava o aposento do teto. - Ei, o que acha que vai acontecer quando contarmos sobre o exército de orcs vindo pra cá? - Perguntou a garota, se inclinando para observar o companheiro.

 - Sinceramente? Acho que não vão se importar muito. - Respondeu Dalan olhando desinteressado para a janela. O sol começava a se pôr no céu púrpura, conjurando sombras largas nos casebres decadentes e nas ruas imundas. - Parecem ter cuidado muito bem da primeira investida.

 - E então vai deixar eles serem se virarem sozinhos? - Questionou Amanda enquanto que o rapaz sentava em sua cama. - Vão todos morrer!

 - Eu vou tentar argumentar. - Respondeu, a encarando cansado. - Só que não acho que eles vão sair daqui e marchar para o oeste. É uma opinião minha, de qualquer jeito. - A garota fechou o rosto e se virou para o outro lado, cruzando os braços. Dalan suspirou. - Escuta, você pode tentar avisar todo vilarejo daqui até o rio Solomon de que um exército de orcs, harpias e sei lá mais o quê está a caminho. Nem todos vão te escutar.

 Amanda permaneceu em silêncio até a porta do quarto se abrir. A garota loira que havia cuidado deles tinha chegado, ainda trajando as vestes verdes que usara mais cedo. Trazia consigo uma trouxa de roupas bem enrolada e um prato coberto por uma tampa prateada. Encarou brevemente os outros dois antes de desviar o olhar para o chão.

 - Espero não estar atrapalhando. - Disse, deixando o prato na mesa.

 - Comida. - Foi tudo que a outra garota conseguiu dizer antes de se levantar com um salto. Dalan a encarou irritado por alguns segundos antes de acompanhá-la. Debaixo da tampa haviam costelas de porco fumegantes e servidas com um pote de molho vermelho. A barriga dos viajantes estremeceu e os dois se sentaram imediatamente para comer. A garota de verde, por sua vez, se virou para a saída.

 - Espero que gostem. - Disse baixinho, abrindo a porta. Amanda levantou os olhos da comida que devorava e a observou com seus olhos grandes.

 - Espera. - Pediu com a voz abafada pela costela. - Come aqui com a gente. - A loira olhou para trás, meio que encabulando com o olhar despreocupado dos outros dois.

 - Não acho que eu deva... - Começou a dizer, mas Amanda a interrompeu.

 - Anda, você que trouxe essa comida. - A garota se afastou, dando um espaço para a outra se sentar. A loira encarou o chão por alguns segundos antes de se aproximar. - Meu nome é Amanda. Amanda Vertreit.

 Sério? Dalan a olhou com irritação, mas foi ignorado. - Sophie Helder. - As duas apertaram as mãos, e Sophie sorriu pelo canto da boca.

 - Dalan Kault. - Se adiantou o rapaz, também apertando a mão da outra. Os três se acomodaram, beliscando a comida no prato. Sophie mordiscou o lábio, olhando de relance para os outros dois.

 - Então, o que vocês...

 - Essa roupa é muito maneira! - Se adiantou Amanda, fazendo com que a outra garota se afastasse pelo susto. - Você que fez?

 - Ah, não... - Ela olhou para seu próprio casaco, ajeitando as pontas. - É o uniforme feminino da Guarda Reluzente. Apenas escolhi a cor.

 - Como assim Guarda Reluzente? - Perguntou Dalan, repousando um osso completamente liso.

 - Bem, é uma longa história. - Disse Sophie, parecendo desconfortável. - Na última invasão dos exércitos de Zemopheus, Durandar foi completamente isolada do restante da Aliança. Nossa única alternativa foi aprender a nos defender. - Ela pegou um pedaço de costela, mordendo um pedaço. Continuou com a mão na boca. - Por isso, formamos a Guarda Reluzente, um grupo que patrulha as matas e defende os muros da cidade. É um cargo de honra por aqui. - Seu rosto se iluminou por uns breves segundos.

 - Sério? - Perguntou Amanda com a expressão obtusa. Você morava a seis horas daqui e nunca reparou nos patrulheiros que guardavam a sua própria floresta, pensou Dalan enquanto franzia o rosto. O quão tapada precisa ser para isso? No entanto, tinha outras coisas para comentar.

 - E vocês continuam separados da Aliança até hoje? - Sophie se ajeitou antes de responder.

 - Ninguém da Aliança veio nos encontrar desde então. Só ouvimos rumores de como está a guerra, mas nunca houve uma tentativa de reaproximamento. - Entendo, pensou o garoto. Ele havia achado Durandar bastante atrasada tecnologicamente, muito pela ausência de armas de fogo ou qualquer menção a combustível fóssil. Agora estava tudo explicado.

 - E o que você faz nessa Guarda Reluzente? - Perguntou o rapaz. Sophie abaixou a cabeça, corando.

 - Ah, bem eu... - Tropeçou nas palavras, engolindo seco antes de continuar. - Eu passei a semana cuidando dos estábulos, e mês passado verifiquei os muros. Nada de mais. - Dalan se lembrou da cena nos portões de Durandar. O comandante da Guarda parecia ter algumas desavenças com aquela garota.

 - Ah, eu tinha algo pra perguntar. - Começou Amanda subitamente. - Vocês chegaram a achar uma esmeralda com aqueles orcs? Uma bem grande.

 - Não... não que eu saiba. - Respondeu Sophie. A outra garota suspirou fundo, se virando um pouco para fitar o prato de comida.

 - Bem, eu não achei que seria tão fácil. - Seus olhos trêmulos indicavam um certo abatimento, e ela se contentou em puxar um pedaço de costela.

 - Sinto muito... - Disse a garota loira, esticando a mão inutilmente no ar enquanto que Dalan desviava o olhar. - Eu conheço... conheço uma joalheria aqui em Durandar. Se quiser posso...

 - Não, esquece... - Disse Amanda, dando de ombros. - Não é por causa da pedra. Só que eu prometi a meus pais que iria cuidar dela.

 - Então você está indo atrás do exército de orcs? Por causa disso? - Perguntou Sophie, sendo respondida com uma aceno positivo de cabeça. - Nossa, eu... isso é incrível. - Admitiu a garota visivelmente impressionada, ajeitando uma mecha para trás da orelha. - De verdade.

 - Pff, não... - Soltou a outra garota, recuperando parte de sua animação enquanto acenava com a mão. - Qualquer um faria isso no meu lugar. - A loira desviou o olhar, seu sorriso se tornando um muxoxo.

 - Eu não saberia dizer... - Disse baixinho, um som que quase não foi ouvido pois a porta atrás deles se abriu com força. Os três se viraram para encarar um homem alto e de cabelos escuros, trajando um casaco escuro e sujo por cima das roupas almofadadas.

 Ele encarou Sophie, sentada ao lado dos viajantes, com estranheza antes de continuar. - O comandante Leon exigiu sua presença na Torre dos Soldados. - Pronunciou de forma clara. A garota imediatamente corou com força, ao mesmo tempo que um tremelique passava pelo corpo. Ela engoliu em seco e ficou de pé, as pernas subitamente bambas.

 - Estou a caminho. - Disse com a voz abafada. Olhou de relance para os outros dois, sem conseguir falar nada. Apenas acenou com a cabeça e seguiu pela porta aberta. O homem moreno esperou ela sumir antes de continuar.

 - Vocês receberam vestes da Guarda. - Acenou com a cabeça para a trouxa estufada. - Peço que as vistam antes de me acompanharem. - Dalan e Amanda se entreolharam. O que estava acontecendo, pensaram os dois em uníssono mental.

 Alguns minutos depois, estavam caminhando pelas ruas sujas e apertadas de Durandar, escondidos do luar recém-nascido pelos prédios altos e decadentes. Amanda vestia um traje semelhante ao que Sophie usava, só que em tons de vermelho ao invés de verde e uma bota mais curta, desta vez na altura das canelas. Também havia recusado a manta por achá-la desconfortável. Já Dalan usava uma camisa azul clara por baixo de um colete preto e longo que alcançava seus joelhos, assim como uma calça almofadada da mesma cor escura. Uma faixa branca completava o visual, enrolada no quadril como um cinto.

 - Você sabe o que está rolando? - Perguntou Amanda. Dalan não respondeu, preferindo franzir as sobrancelhas. Havia uma sensação ruim no ar.

 Foram levados até uma estrutura de madeira alta e circular, subindo uma escadaria após adentrar o portão. Ao adentrarem a área interna, o rapaz sentiu o coração parar. Era uma arena, completa com arquibancadas de degraus e uma área redonda e arenosa para lutas. Estavam em uma armadilha, pensou antes do sujeito que os acompanhava apontar um caminho para cima. Havia uma espécie de camarote ali, onde um homem de bigode comprido e cabelos escovados os aguardava. Comandante Leon, se o garoto se recordava.

 - Espero que tenham sido bem tratados. - Disse ele quando os viajantes se aproximaram. De perto era possível enxergar suas inúmeras cicatrizes, assim como os olhos tão negros quanto os fios de cabelo. Sua expressão era carrancuda e não parecia ser capaz de mudá-la. - Agora, quais informações sobre os orcs gostariam de me contar?

 - Ah... - Começou Dalan ao se sentar. Não estava acostumado à pessoas tão diretas. - Eles estão vindo. O exército de Zemopheus invadiu os territórios da Aliança. - Mesmo naquela arena fechada e cada vez mais lotada, o rapaz conseguia sentir o peso naquelas palavras.

 Infelizmente tal sensação não era compartilhada com o comandante. - Novamente? - Perguntou como se estivesse falando do tempo. - Bem, imaginei que aqueles orcs não eram uma patrulha desgarrada. De qualquer jeito, a Guarda Reluzente já defendeu Durandar uma vez. Faremos isso novamente. - Ele parou de falar, o que incomodou o garoto ao seu lado.

 - Acho que o senhor não entendeu direito. - Soltou fraquinho. - Da última vez a Aliança estava desleixada. Agora, mesmo alertas, a Fronteira caiu. Toda a preparação do mundo não conteve Zemopheus. - Ele sentiu uma gota de suor escapar pela testa. Sentia vontade de sair daquela arena, subitamente apertada e opressiva. - Há uma linha de defesa sendo formada em--

 - Espero que não esteja sugerindo uma fuga, moleque. - Interrompeu Leon, encarando Dalan com olhos afiados. - Não iremos sair daqui. - O rapaz tremeu.

 - Então vocês vão arriscar as vidas de todo mundo à toa? - Disparou Amanda, se inclinando para o comandante. - Vocês não tem ideia do que está lá fora!

 - E vocês não tem ideia do que está aqui dentro. - Disse o homem com sua voz firme. Ele se levantou, parecendo ainda mais altivo. - E hoje irão saber. Contarão à sua Aliança sobre a Guarda Reluzente e como defenderemos essa cidade. - Estreitou as sobrancelhas, formando uma camada de rugas por cima dos olhos. - E o quão longe podemos ir para nos mantermos perfeitos.

 Dalan pensou em continuar a discussão, mas reparou que todos nas arquibancadas estavam de olho na arena. Acompanhou os olhares e ouviu Amanda ofegar ao seu lado. Uma garota estava sozinha na areia, tremendo da cabeça aos pés. Era Sophie.

 Ela levantou os olhos para as dezenas de cabeças que a encaravam. Engoliu em seco e tentou consertar a postura. - Sophie Helder. - Começou Leon, silenciando o burburinho. - Imagino que saiba o motivo de estar aqui.

 A garota baixou o olhar, fechando as mãos com força. - Eu não... - Mordeu o lábio para tentar se acalmar. - Eu falhei em caçar o orc ferido que havia atacado nossa cidade. - Ela levantou a cabeça mais uma vez, se esforçando para se manter assim.

 - Esse é apenas um dos motivos. - Retrucou o comandante, levantando minimamente o queixo. - Você também não conseguiu capturar o rhynotero que derrubou o muro leste mês passado. Também nos mandou informações erradas sobre uma manada de criógenos, o que nos deixou à beira da fome no último ano. Se quiser, posso continuar. - Amanda tremia ao lado de Dalan, só que de raiva. O rapaz segurou seu ombro para acalmá-la. - Você teve chances demais de se provar, Sophie. Hoje lhe darei a última.

 Com isso ele acenou a cabeça, e um portão na arena se abriu. Dois homens saíram de lá puxando uma fera de quatro patas gigantesca, o pelo negro cobrindo seu corpanzil de mais de dois metros de altura. Ele bufava, soltando fumaça pelas narinas bovinas enquanto encarava loucamente a área ao redor com seus olhos vermelhos. No topo de sua cabeça haviam chifres cúpricos de quase um metro que se uniam no topo, formando uma ponta oval. Os viajantes arregalaram os olhos com a visão daquela besta, algo compartilhado pela garota na areia.

 - Este é um iróbil que capturamos algumas semanas atrás. - Continuou Leon, alheio ao terror da subordinada. - Seu objetivo é derrotá-lo e provar que tem um lugar na Guarda Reluzente. - Uma mulher morena se aproximou de Sophie, entregando uma espada de punho simples. A lâmina tremia nas mãos da garota. - Sinta-se à vontade de usar suas... muletas. - Terminou de forma enigmática.

 - Isso é loucura. - Sussurrou Amanda, se virando na direção do homem. - IS... - Dalan se adiantou para tapar sua boca, forçando-a a permanecer sentada.

 - Não vai adiantar nada nos revoltarmos agora. - Disse o rapaz. No entanto, ele também estava em fúria. Estavam planejando um massacre? Os homens da arena saíram pelo portão, deixando apenas Sophie e a fera, ainda amarrada pelas cordas.

 - Espero que esteja preparada. - Alertou o comandante. A garota suava, procurando manter a espada firme em suas mãos. O iróbil à sua frente bufava, arrastando os cascos na areia. Amanda segurava a quina do degrau em que estava sentada, mordendo o lábio com força. As arquibancadas estavam tomadas pelo silêncio, tão profundo que Dalan conseguia ouvir seu coração batendo. Queria muito desviar o olhar, mas não sabia se conseguiria. Ao seu lado, Leon estalou os lábios. - Comecem.

 - AAAAAAAAAH! - O grito feminino apavorou a todos, fazendo várias pessoas pularem de suas cadeiras. Cabeças se viraram, tentando identificar de onde vinha aquele som. Sophie continuava calada, procurando também a origem daquele berro. - SOCORRO! - Dalan e Amanda se entreolharam, aterrorizados. Conseguiam agora ouvir um tumulto do lado de fora da arena. E pior, o crepitar de chamas.

 O portão de entrada foi derrubado com um estrondo, fazendo várias pessoas ali dentro gritarem. Leon se levantou, assim como outros espectadores da Guarda. Havia uma pessoa se contorcendo em cima da porta, envolta por uma poça de sangue. Em suas costas estava fincado um machado sujo e levemente rachado. Seu punho de couro foi envolvido por uma grossa mão verde, que arrancou a arma de sua vítima com um som asqueroso. O assassino girou o machado, espirrando o líquido vermelho na madeira ao seu redor. Ele sorria, suas presas amarelas se destacando no queixo quadrado. Atrás deles os prédios queimavam e as pessoas gritavam. O sinal da queda. O sinal de que a Guarda Reluzente havia falhado pela primeira vez em sua longa história.

 Pois os orcs haviam invadido Durandar.

Atos Finais