Novidades

11 de fevereiro de 2015

Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida

Pois bem, pois bem! Eae, chuchus, belê? Aqui quem fala é o Pequeno Cícero Badernista, e hoje vamos falar sobre um livro de ficção brasileiro: Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida.




O livro, lançado em 2011, foi escrito por Eduardo Spohr, e se passa no mesmo universo da obra anterior do autor, A Batalha do Apocalispe (mas não é necessário ler uma obra para entender a outra).

Pra quem não sabe, a trama geral do universo criado pelo autor é: após o sétimo dia da criação, Deus caiu em um sono profundo, deixando a humanidade aos cuidados dos anjos, sendo estes liderados por cinco arcanjos. Contudo, o arcanjo Miguel, líder de todos, ficou com inveja do amor de Deus pelos humanos, e resolveu destruí-los. Por isso, uma série de revoltas se levantou contra o arcanjo, sendo a principal feita por seu próprio irmão, o arcanjo Gabriel. Desde então, Gabriel vem guiando um exército rebelde contra as tropas de seu irmão, levando o céu a viver uma guerra de anjos contra anjos.



Enredo
Raquel, uma bela universitária do Rio de Janeiro, acorda após um sonho estranho, no qual seu corpo estava ligado ao de uma menina por um fio prateado. Mas este não é o único aspecto estranho em sua vida recentemente, já que ela não se lembra de vários momentos de sua vida, como a adolescência.

Enquanto isso, dois anjos do exército de Gabriel são enviados atrás de Kaira, uma capitã do exército rebelde que desapareceu em uma de suas missões. Os dois enviados, Levih e Urakin, acabam chegando à universidade de Raquel e ao verem-na, descobrem que ela é Kaira. Contudo, a garota não se lembra de sua vida como anjo.


Kaira / Rachel

Em meio a esse encontro dos três anjos, Rachel/Kaira é atacada por criaturas bizarras, o que a leva a acreditar mais nas coisas sobrenaturais ditas por Levih e Urakin. Os dois conseguem derrotar os atacantes, descobrindo ainda o esconderijo dos vilões, mas não puderam visitar o local de imediato, pois Rachel/Kaira fora ferida durante o ataque.

Em meio ao desespero de salvarem a jovem, Levih e Urakin levam-na até a casa de Denyel, um anjo que atuava há anos como espião na terra. Porém, Denyel era partidário de Miguel, mas faz um acordo com Levih de ajudá-los em troca de ser aceito nas forças rebeldes (tal decisão foi tomada pois o anjo queria deixar a Terra e voltar ao céu).

Quando se recupera, Kaira/Rachel resolve ir com Urakin e Levih até o covil dos inimigos, para descobrirem o que estava havendo. Todavia, lá eles são derrotados por Andril, um antigo inimigo de Kaira. Urakin e Levih ficam presos no lugar, mas Kaira é resgatada por Denyel.


Ukarin e Levih

Eles resolvem que a jovem primeiramente deve recuperar suas memórias, para assim poder cumprir sua missão primária, e depois voltarem pra resgatar Urakin e Levih. Por isso, eles viajam até o interior do A-MA-ZO-NAS, onde uma velha conhecida de Denyel poderia ajudar Kaira a recuperar suas lembranças.

As memórias dela voltam na forma do seguinte sonho: ela se vê no corpo de Rachel, a criança de seus sonhos. O pai da garota era um arqueólogo que descobrira um importante tesouro, e deu o mapa para a criança guardar. Então, de repente, Andril entra com seus capangas na casa de Rachel e interroga o pai da criança sobre a localização da preciosa descoberta. Como o homem se nega a falar a verdade, Andril o mata e, percebendo que a criança sabia algo sobre o tesouro, se prepara para torturá-la. Mas nesse instante, Kaira entra na casa, para salvar o dia. Mas em um momento de distração, é derrotada, e um dos ajudantes de Andril usa uma magia para unir a mente de Kaira com a de Rachel. Assim, eles poderiam ficar vigiando Kaira com a mente de Rachel, para poderem descobrir os segredos da garota, mas sem terem que preocuparem-se com os poderes de Kaira.

Após esse árduo processo, Kaira passa a ter mais noção de suas lembranças e das de Rachel, descobrindo qual foi o tesouro que o pai da garota havia descoberto e sua localização: a cidade de Athea, ex-colônia da já destruída Atlântida, que tem um portal que leva a um ponto estratégico que seria crucial para a vitória de Miguel na guerra celeste.

Assim, Kaira recorda que sua missão era achar a tal cidade e destruí-la, para que os inimigos não a usassem. Por isso, ela e Denyel voltam para o Rio, para prepararem sua viajem. Quando chegam lá, eles reencontram Levih, Urakin e Zarion, um antigo aliado de Kaira. Eles falaram que haviam fugido da prisão inimiga, e agora estavam prontos pra ajudarem Kaira em sua missão.


Denyel

Assim, o quinteto parte rumo à Athea, para destruírem a cidade. Mas chegando lá, Levih é morto por Zarion, que se revela como um dos capangas de Andril disfarçado. Além de matar Levih, ele ainda avisou a Andril sobre a localização da cidade, levando o inimigo de Kaira a chegar ao local com um exército. Neste momento então, Urakin e Denyel ficam para enfrentar o exército enquanto Kaira luta com Andril. No fim, Kaira e seu grupo conseguem vencer, mas para conseguir sair de Athea com Urakin, precisam deixar Denyel pra trás, que se voluntariou pra segurar a horda inimiga enquanto os amigos fugiam.

No fim, Kaira, já de volta ao céu em sua posição de capitã das forças rebeldes, é enviada de volta a terra pelo o arcanjo Gabriel em uma missão. Mas resolve ainda, por conta própria, procurar Denyel, acreditando que ele esteja vivo.

Além disso...
O livro ainda tem outras tramas, como o relacionamento dos arcanjos entre si e suas personalidades (uma das coisas mais interessantes do universo criado por Spohr); as lembranças de Denyel do tempo que viveu na terra, atuando como um Anjo da Morte (anjos designados para lutarem nas guerras humanas a fim de relatarem os acontecimentos posteriormente); a jornada do Primeiro Anjo, primeiro ser que se opôs à tirania dos arcanjos, em busca de vingança; etc.


Eae, vale?
O livro é bacana, desenvolvendo mais a rica mitologia criada pelo autor em A Batalha do Apocalipse, como por exemplo, a rica casta em que os anjos são distribuídos (Kaira, por exemplo, é uma ishin, anjos com poderes elementais) ou a estrutura da guerra que acontece no céu. Em contrapartida a estes aspectos sobrenaturais, Spohr nos apresenta capítulos interessantes sobre os flashbacks de Denyel, nos quais vemos o anjo se passando por humano e tentando sobreviver nas Grandes Guerras. Vale citar que Eduardo busca situar seus personagens atuando em locais do Brasil, o que é interessante.

Quanto aos pontos negativos, o principal seria o comportamento clichê de alguns personagens, como Kaira sendo a jovem revoltada, ou Denyel sendo o badboy galanteador. Além disso, alguns podem achar a escrita de Spohr pouco rebuscada, mas nada que atrapalhe a trama (dependendo da situação, é até preferível, pois troca um descrever excessivo em favor de uma linguagem mais direta e dinâmica).


No geral, um bom livro, ainda mais interessante para os que já conheciam o universo criado pelo autor. Sugiro ainda que leiam primeiro o livro anterior (o já citado A Batalha do Apocalipse), por seu caráter mais épico e ainda assim mais conciso (já que Herdeiros de Atlântida é o primeiro de uma trilogia). Gostando daquele, Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida se torna uma leitura ainda mais agradável. Talvez, ainda não seja a grande literatura nacional de fantasia atual, mas tem potencial.



7,5/10 Panquecas Nerds

Atos Finais