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18 de novembro de 2014

O que aconteceu com a comédia besteirol?


Olá, amiguinhos. Como vão vocês? Bem, eu vou bem, apenas gostaria de dizer que DEBI & LÓIDE 2 É FODA! 



Caras, eu não tinha rido tanto numa sala de cinema desde, sei lá, Uma Aventura Lego. E antes disso provavelmente Pacific Rim, mas por motivos completamente diferentes. O filme inteiro é pontuado com cenas caóticas, humor escrachado e a volta do carisma de Jim Carrey e Jeff Daniels. Recomendo a todos, inclusive recomendo mais que Interestelar. Chupa Nolan.

 Mas, porém, entretudo, contanto, eu saí da sala do cinema com uma dúvida em minha mente irremediavelmente quebrada: o que aconteceu com a comédia besteirol nos últimos anos? Aquele humor despretensioso, onde o importante é fazer rir e não contar uma história com moral e valores da família? Bem, sente-se que é hora da história, patrocinada pelo titio Lojinha e o sempre confiável fundo de pesquisas Wikipedia.

 Comecemos nos anos 80. Em 2 de Julho de 1980, as estrelas se alinharam, as pessoas se abraçaram e todos os pássaros cantaram em uníssono pois o cláááássico Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu! foi lançado, abrindo caminhos para as sátiras e o besteirol como um todo tomarem as salas de cinema. Após isso vieram outras grandes obras como Top Secret, Corra Que A Polícia Vem Aí, e muitos comediantes vindos de Saturday Night Live, como Bill Murray, Chevy Chase e Steve Martin. 

 Então chegamos aos anos 90, onde houve uma profusão de diversos tipos de comédia. Elas vão desde sátiras (Todo Mundo em Pânico), românticas (Quem Vai Ficar Com Mary) e o besteirol, representado por American Pie, Cara Cadê Meu Carro e, claro, Debi & Lóide

 Só que vieram os anos 2000 e a comédia declinou. Claro, tivemos filmes como Superbad, Se Beber Não Case e algumas comédias românticas aqui e ali, mas é notável um sumiço deste estilo de produção nos últimos anos. Muitos apontam alguns problemas como a saturação do mercado cinematográfico, a necessidade de ampliar o público e coisa e tal, mas eu vejo diferente. Acho que o problema é a sociedade.


 Vou exemplificar o que vou dizer. Outro dia eu levei um bando de amigos para ver O Âncora, na minha singela (e certa) opinião uma das melhores comédias deste lado do século XXI. Boto o filme pra rodar, crente que estava prestes a ter um festival de risadas e...

 Meus amigos odiaram. Confesso que isso não entrava na minha cabeça. Estávamos vendo cenas de pura comédia, mas eles queriam ver uma história. Queriam sentido. Queriam personagens com problemas e que eles fossem solucionados através de uma linha guia, e que se conseguir colocar uma piada aqui e ali, tanto faz. Era abismal. Embasbacante. Triste. Fui escrachado por todos e me pus a pensar em meu próprio canto, silencioso como um ninja mudo. O que havia acontecido?

 Com isso, como sempre faço ao me encontrar com uma situação anormal, me pus a estudar. Entender o humor. Concluí que hoje você procura um sentido na comédia. Não basta apenas fazer rir. Você precisa ter um comentário, precisa ter uma mensagem, precisa... fazer sentido. Dentro do contexto e fora do contexto. 

 Com isso, considero que a comédia se dividiu em duas vertentes: a primeira é conservadora. Tipo uma comédia romântica. A mensagem é clara, aceitável e não te faz pensar muito. Seja que o amor dura pra sempre, não importando as dificuldades, qualquer coisa desse tipo. A outra é a ácida. Comédia focada em denegrir e zoar um grupo em específico. É o humor sem limites, humor negro, que tem um público tão grande que nem pode mais ser considerado um nicho.

 E claro, há a terceira vertente, que são filmes do Adam Sandler. Se não fossem tão bostas, talvez merecessem um aprofundamento melhor, mas apenas os considero como comédia fast-food. Está ali pra te entregar o esperado, jogando alguma lição de moral mal-passada. Você pode ouvir o Panquecast sobre isso, tá ali na barrinha à direita.


 Enfim, o que pretendo dizer é que... a comédia besteirol perdeu espaço. Rir apenas por rir não é mais importante agora. Você precisa criticar alguém ou trazer alguma mensagem. Se não trouxer nenhuma dessas duas malas, é melhor nem parar na recepção. Talvez por isso que filmes como Debi & Lóide 2 sejam um bem-vindo sopro de ar nostálgico. Uma mostra de que você não precisa rir e pensar toda hora, e sim apenas gargalhar e esquecer da vida. Há tanta vontade de espremer um sentido em qualquer coisa que é estranho encarar algo que é simples por natureza. Não há máscaras, não há recado oculto. Apenas uma piada.

 Hoje em dia vemos um renascimento do humor sem sentido, pelo menos em outras mídias. Se você ligar a televisão em um canal agora, existem grandes chances que encontre um desenho como Titio-Avô ou Apenas um Show. Tudo bem que eles tomam um caminho bem mais lisérgico do que besteirol, mas... é um começo? Será?

 Tudo que sei é que ESSA CENA MERECE UM OSCAR: 

Atos Finais