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9 de novembro de 2014

INTERESTELAR, A RESENHA COM SPOILERS DO INÍCIO DO FILME


"Fica, vai ter bolo"


Espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enteprise. Prosseguindo com sua missão de... não, pera. Confundi as anotações de Star Trek com Interestelar, gente, desculpa.

Vamos começar de novo. Interestelar é o mais recente filme do famigerado diretor Christopher Nolan, responsável por Memento, Inception e a última trilogia do Batman. Produzido com base em teorias do físico Kip Thorne, o sci-fi é uma obra que conta a história de um pai de família que se vê obrigado a abandonar os filhos e viajar para o espaço, onde participará de uma missão desesperada cujo objetivo é tentar salvar a raça humana e mergulhar em uma tonelada de discussões filosóficas no caminho.

Ah, tá, agora eu vi onde confundi com Star Trek.


O filme começa com Cooper, um ex-engenheiro e piloto interpretado por Matthew McConaughey, que passa sua vida construindo e consertando máquinas para arar seu campo. Oras, mas o bom homem não era piloto? O que faz sendo fazendeiro? Bem, acontece que o planeta vive uma falta de comida sem proporções, originada por uma praga representada por um constante vento de poeira que destrói inúmeras plantações, restando praticamente apenas o milho.

O que significa que são todos milhonários HAHAHAHAHHAHAHA céus vou perder meu emprego.

O.K, voltando. Acontece que Cooper é pai de dois filhos: o mais velho, Tom (interpretado por Timothée Chamalet) e a caçula e claramente favorita Murph (Mackenzie Foy). Ele passa o início do filme claramente preocupado com a família, incentivando o pensamento científico da filha, tentando arranjar uma faculdade pro filho e hackeando caças indianos que continuam voando até hoje. Você sabe, coisas que todo fazendeiro faz.

Um belo dia Murph esquece uma janela aberta e a praga-vento-poeira invade um dos quartos da casa. No meio de toda aquela sujeira, há um código binário no chão. Cooper pega aquilo e identifica como coordenadas.

Calma, vou chegar lá.

Ele dirige até o local indicado, acompanhado sem querer pela filha, onde é capturado de forma misteriosa. Quando acorda, se vê ameaçado e questionado por um robô. As coisas parecem ruins até que SURPRESA! Na verdade ele achou os resquícios da NASA, que curiosamente precisava de um piloto e CÉUS, Cooper era o melhor piloto e agora está convidado para o derradeiro projeto da organização: liderar uma equipe de cientistas para além de um buraco de minhoca, onde uma missão anterior da NASA foi enviada para buscar planetas com potencial para abrigar vida, visto que a Terra está prestes a ser tomada pela praga-vento-poeira, que matará seus habitantes por intoxicação. Resta a ele e um time composto de Dolye (Wes Bentley), Romilly (David Gyasi), Brand (A sempre gata Anne Hathaway) e HAL 9000 TARS, o robô camarada com a voz de Bill Irwin, averiguar os dados enviados e descobrir se os planetas são realmente seguros para o novo alvorescer da raça humana.

O plot parece bem amarrado, tal qual uma obra de Nolan. Acontece que, tal qual uma obra de Nolan, você não pode sair do caminho traçado pelo diretor, caso contrário encontrará uma coletânea de erros de roteiro e coincidências milaborantes que ferem a obra como um todo. E num filme que te convida a pensar, deixar essas pontas soltas à vista pras visitas é um problema um pouco gritante. O diretor até tenta incorporar alguns furos como parte da trama, mas é difícil explicar porque a NASA precisava ameaçar um homem que já iriam contratar ou que não houvesse mais nenhum piloto disponível na Terra, por exemplo.


O filme se torna um menino de verdade quando chega ao espaço. Nolan disse que se inspirou em, entre outros, 2001: Uma Odisséia no Espaço. Essa inspiração é explícita na construção de certas tomadas, posicionadas de formas a remeter alguns momentos mais famosos do talvez maior clássico de ficção científica. 

Não que Interestelar não faça feio quando tem que andar com os próprios pés. Cenas do buraco de minhoca, buracos negros e até mesmo coisas já contemporâneas como Saturno são estonteantes, dignas de se ver em uma tela IMAX. Por mais que certas vezes acabem parecendo efeitos acidentais de um estudante drogado de design dos anos 90, são feitas com tanto esmero e acabamento que logo afastam o desconforto. Cabe menção à viagem pelo tubo de minhoca, algo que no início parece uma cópia de Star Wars mas que rapidamente toma vida própria. Até mesmo as cenas na Terra são belas, muito pela técnica afinada da câmera.

Mas quem se importa com imagens de milharais quando se tem o mais impressionante buraco negro da história do cinema? Aguarde até ver os planetas visitados pela trupe do espaço em sua missão do barulho pra salvar a raça humana.



Planejo não contar muito da viagem espacial por acreditar que elas merecem ser vistas sem conhecimento prévio. Apenas saiba que, se você já viu Star Trek, irá sentir a familiaridade. São diversos questionamentos filosóficos palpados em um fundo científico, muitas vezes componente essencial das dúvidas. MAAAAAAAAS Nolan tenta deixar tudo explicadinho e pasteurizado para o público comum, o que pode parecer bobo e um pouco ultrajante para sua inteligência. Sério, Nolan, meu velho, tente deixar algumas coisas em aberto. As pessoas não vão morrer por causa disso.

Ah, uma menção para a atuação. Como eu vi em dublado, fica meio difícil analisar a performance dos atores, mas devo dizer que a dublagem fez um excelente trabalho. Certas cenas tentaram ser bastante fortes, e fico feliz em dizer que houve sintonia entre o que era mostrado e o que era ouvido. E pelo que eu consegui ver, os atores foram muito bem, com destaque para McConaughey e a pequena Mackenzie Foy, protagonizando cenas de emoção entre pai e filha.

Por fim, devo dizer que recomendo Interestelar. As cenas são tão impactantes quanto o recente Gravidade, favorecendo ângulos grandes com um gigantesco e brilhante pano de fundo. Os questionamentos são válidos e o jeito que a história os amarra são redondos, embora fique na ânsia de explicar tudo no fim. De resto, considero esse um símbolo claro da direção de Nolan: Se você não se incomodar com centenas de explicações e diálogos descritivos, encontrará um bom filme. Só procure não pensar muito fora da caixa e encontrar sem querer furos de roteiro.

8/10 Panquecas

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